O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
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Investigado por: 23/10/2026

É falso áudio de suposto membro da equipe de Flávio Bolsonaro sobre corte do Bolsa Família e de aposentadorias

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Gravação viral mistura informações falsas com posições públicas do senador sobre privatizações e exploração de minerais estratégicos.

Ao contrário do que sugere uma postagem que viralizou em redes sociais, não é verdadeiro um áudio supostamente vazado de um “coordenador da campanha” de Flávio Bolsonaro (PL) que relata uma reunião em que o candidato à Presidência teria dito que iria “privatizar tudo” – Petrobrás, Correios, Banco do Brasil – e cortar o Bolsa Família e 50% dos salários dos aposentados. Na gravação, o homem também afirma a existência de acordos com os Estados Unidos para a exploração de terras raras e de nióbio no Brasil. 

O áudio circula sem a identificação de quem o gravou. Todos os dados concretos que permitem uma análise mais direta indicam  que a gravação foi inventada. Um deles é a menção a ACM Neto (União Brasil) que, segundo o áudio, estaria presente à suposta reunião. Procurado pelo Comprova, ACM Neto afirmou que o conteúdo do áudio é “completamente mentiroso”, que a mencionada reunião nunca existiu, que não reconhece a voz de quem fala no áudio e que nunca participou de encontro com Flávio Bolsonaro no qual ele tenha feito as afirmações que constam no áudio. “Isso é fake news, uma tentativa de enganar a população com informações falsas”, disse ACM Neto. 

Já as declarações públicas de Flávio Bolsonaro contradizem o teor do áudio. A gravação foi postada, no dia 19 de outubro, por perfis petistas e não é mencionada por nenhuma fonte confiável de informação.

A campanha de Flávio foi contatada, mas não retornou até o fechamento desta verificação. O Comprova também questionou o autor da postagem sobre a origem do áudio. Não houve resposta.

Declarações públicas contradizem conteúdos do áudio

A maioria das afirmações atribuídas a Flávio no áudio é falsa, mas há também afirmações que, em parte, são verdadeiras, como as sobre as privatizações. E, apesar de não haver indícios de contratos assinados pela equipe do senador com os Estados Unidos relativos a terras raras, o candidato é abertamente alinhado aos interesses norte-americanos sobre o tema. Outro aspecto é que a alegação só faria sentido se Flávio já tivesse sido eleito.  

As afirmações sobre o Bolsa Família e cortes na aposentadoria foram negadas pelo próprio Flávio em várias ocasiões, como no dia 14 de outubro: “Não existe isso de acabar com o Bolsa Família. Eu vou garantir o Bolsa Família para quem precisa. Vou garantir que o Estado chegue até você com capacitação e com qualificação. Vou fazer o maior programa de mobilidade social que este Brasil já viu”, disse o candidato durante evento no Rio de Janeiro. 

Sobre cortes nas aposentadorias, Flávio Bolsonaro negou em 8 de outubro e prometeu aumentar o benefício. “Vocês (aposentados) vão ter reajuste, sim, acima da inflação das suas aposentadorias, que é uma coisa sagrada”, disse. Na ocasião, o candidato do PL tentava explicar declarações de sua equipe sobre um “tesouraço de R$ 200 bilhões”, sem cortar benefícios sociais. Juntos, os custos dos benefícios previdenciários, do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) representam 53% das despesas primárias da União.

No que se refere a privatizações, não há declarações de Flávio Bolsonaro afirmando que vai privatizar a Petrobras e outras estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa. No dia 8 de outubro, o coordenador econômico da campanha do candidato do PL, Adolfo Sachsida, negou a intenção de privatizar essas empresas. Os rumores foram levantados pela oposição, a partir de declarações do próprio Flávio Bolsonaro, como a que ele deu a empresários em fevereiro deste ano, na CEO Conference do Banco BTG Pactual. “Onde puder privatizar, nós vamos privatizar. Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”, disse o candidato na ocasião.

Sobre os Correios, Flávio defendeu publicamente a privatização da empresa. “Os Correios são uma estatal que precisa ser privatizada”, disse o candidato em entrevista publicada no dia 9 de maio. 

Quanto aos minerais estratégicos e os de terras raras, não há declarações ou contratos já assinados para a exploração pelos Estados Unidos. Entretanto, Flávio Bolsonaro se alinha aos EUA neste tema. Já em relação ao nióbio, um dos minerais estratégicos, não há publicação de qualquer contrato ou declaração de Flávio Bolsonaro e de seu entorno sobre acordos para a venda desse mineral. 

Em relação ao alinhamento de Flávio Bolsonaro com os EUA neste tema, em 28 de março de 2026, durante a CPAC (Conservative Political Action Conference) nos Estados Unidos, ele defendeu que o Brasil seria a “solução para os Estados Unidos quebrarem a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

A postagem do áudio viralizou no Instagram com 298 mil curtidas, mais de 60 mil comentários, 123 mil compartilhamentos e cerca de 400 mil encaminhamentos até a tarde desta quinta, 22. O perfil que publicou o conteúdo se identifica como “uma rede progressista/socialista livre”. 

Na legenda, o autor do post faz uma ressalva quanto à autenticidade da gravação: “O conteúdo do áudio, sua autenticidade e o envolvimento dos citados precisam ser apurados.”

O post foi publicado em conjunto com três contas: um perfil pessoal de um homem que se diz “vegano, publicitário, marxista e apaixonado por incertezas!” e outros dois dedicados à moda e diversidade. Todos os quatro perfis postam conteúdos em apoio à candidatura do presidente Lula e com críticas a Flávio Bolsonaro.   

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação aborda temas que afetam diretamente a vida dos eleitores, como aposentadorias e Bolsa Família, e explora o medo ao atribuir a Flávio Bolsonaro supostos planos de cortar benefícios sociais. A narrativa mistura alegações falsas ou sem comprovação com elementos verdadeiros, como a defesa pública da privatização dos Correios, na tentativa de conferir credibilidade ao relato.

Por não constar em nenhuma fonte de informação confiável, a gravação simula um relato “vazado” de bastidores, o que pode levar as pessoas a acreditar no conteúdo. Outro aspecto nesse sentido é a citação a ACM Neto, que declarou apoio a Flávio e vem aparecendo ao lado dele em eventos de campanha. 

Além disso, a alegação de que haveria um plano para entregar riquezas minerais brasileiras aos Estados Unidos, associada à suposta articulação de um golpe de Estado, mobiliza elementos de teorias conspiratórias.

O apelo à emoção e a indução de pânico e medo no ouvinte do áudio, especialmente em grupos vulneráveis, como aposentados e beneficiários do Bolsa Família, também são táticas utilizadas por desinformadores. 

Fontes que consultamos: O Comprova entrou em contato com ACM Neto, com a campanha de Flávio Bolsonaro e com o autor da postagem. A equipe consultou declarações do candidato à Presidência sobre os temas mencionados no áudio, Também verificou o áudio na ferramenta SynthID, que não detectou manipulação por inteligência artificial (IA). 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já verificou conteúdos falsos ou enganosos relacionados às eleições de de 2026, incluindo uma suposta promessa de salário mínimo de R$ 3 mil por Lula e Flávio Bolsonaro, posts que distorcem imagens de manifestações pró-Lula e postagens que insinuaram apoio do Corinthians e do Palmeiras ao atual presidente. A seção Comprova Explica publicou dicas e orientações para o segundo turno das eleições.

Eleições

Investigado por: 23/10/2026

Post usa reportagem antiga de Caco Barcellos para sugerir ligação de Flávio Bolsonaro com compra de votos

Eleições
Conteúdo, gravado pelo "Profissão Repórter" há quatro anos, às vésperas do segundo turno de 2022, não menciona o candidato a presidência e tratava de suspeita de assédio eleitoral em favor de Jair Bolsonaro.

Um vídeo publicado no TikTok no dia 17 de outubro usa um trecho do programa Profissão Repórter de 2022 para denunciar a compra de votos em prol do candidato à presidência Flavio Bolsonaro (PL). O trecho original é de uma suspeita de tentativa de assédio eleitoral em Coronel Sapucaia (MS), em que beneficiários do programa Auxílio Brasil foram convocados, segundo moradores que aceitaram falar, para serem pressionados a votar em Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição na época.

Na reportagem feita por Caco Barcellos e Chico Bahia, os jornalistas conversam com moradores sobre suas intenções de voto e flagram uma reunião de pessoas em frente ao centro cultural da cidade. Na época, a assessora da secretária do local e a própria secretária afirmavam que a reunião era para falarem sobre o Auxílio Brasil — programa social criado pelo governo de Jair Bolsonaro para substituir o Bolsa Família. Em 2023, o auxílio foi extinto e relançado com o nome antigo. Já o Mais Social é um programa de assistência do governo estadual do Mato Grosso do Sul criado em 2021. 

Enquanto estavam em uma gincana entre escolas, os jornalistas da TV Globo também conversavam com uma moradora da cidade. “Eu fui. Chegamos lá; eles, sinceramente, falaram sobre o Auxílio Brasil, porém a parte foi só sobre política. Que teria que votar no 22, porque se não, no caso, não teria mais verba para vir para cá, né?”, disse em fala registrada pelo G1.

Na mesma gincana, a equipe encontrou o então prefeito de Coronel Sapucaia, Rudi Paetzold, e o questionou sobre a reunião no centro cultural. As assessoras do prefeito evitaram responder às perguntas de Caco Barcelos e encerraram o evento. 

A publicação no TikTok usa a reportagem de 2022 com a legenda “Muito grave isso – Compra de votos para Flávio Bolsonaro”. O Comprova entrou em contato com a assessoria do candidato, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O perfil tem 21,6 mil seguidores e segue outros 9,8 mil usuários no TikTok. O vídeo analisado pelo Comprova atingiu 449 mil visualizações até 23 de outubro, e a publicação que mais viralizou no perfil tem 1,8 milhão de curtidas.

A maior parte das publicações do perfil não tem teor político. Há diversos vídeos de orações feitas com auxílio da inteligência artificial (IA), montagens relacionadas ao futebol brasileiro e argentino, à cultura jamaicana e as músicas de Bob Marley. 

O administrador do perfil aparece em vídeos estáticos com a mesma expressão,  apenas mudando a camisa que usa. Também há fotos e vídeos com pessoas a quem ele se refere como familiares em momentos de celebrações, como aniversários. 

O Comprova tentou contato com o administrador do perfil, mas não obteve resposta até a conclusão desta checagem. 

Por que as pessoas podem ter acreditado

Ao usar um vídeo de 2022 apontando uma suposta prática em 2026, a publicação usa a descontextualização como uma das táticas de persuasão. Essa tática consiste em isolar uma frase, imagem ou dado do seu cenário original para mudar completamente o seu sentido e manipular a percepção do público.

Ao omitir quando a reportagem foi veiculada a mensagem acaba ganhando uma nova narrativa, moldada para favorecer quem está replicando. A publicação induz o expectador a acreditar que a reunião mostrada é um pedido de votos para Flávio Bolsonaro quando uma entrevistada fala sobre que a reunião sobre benefícios sociais teria incluído orientações para votar no número 22, acompanhadas da afirmação de que, caso o candidato não fosse eleito, recursos públicos poderiam deixar de chegar ao município. 

Mas a reportagem é de 2022, quando o presidente era Jair Bolsonaro, que disputava a reeleição e foi derrotado por Lula.

Fontes que consultamos: O Comprova analisou o programa original do Profissão Repórter e entrou em contato com a assessoria de imprensa do candidato Flávio Bolsonaro e com o autor da publicação. Buscamos informações sobre o Auxílio Brasil no site do governo federal e sobre o Mais Social no site da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos de Mato Grosso do Sul.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova checou outras publicações sobre Flávio Bolsonaro, como uma imagem gerada com inteligência artificial em que ele segurava uma arma ao lado de um elefante morto; um vídeo sobre viagens do candidato aos Estados Unidos em setembro; e outro vídeo gerado com IA em que ele defende o salário mínimo de R$ 3 mil.

Contextualizando

Investigado por: 22/10/2026

‘Loirona do Flávio’: personagem gerada com IA aparece ao lado do candidato em vídeos virais para promover conteúdo adulto

Eleições
Montagens inserem loira fictícia em registros de atos políticos, substituindo o deputado Nikolas Ferreira. Perfil no Instagram direciona usuários a um canal no Telegram que comercializa conteúdo adulto.

Conteúdo analisado:  Vídeos que circulam nas redes sociais e têm atraído a atenção dos internautas mostram uma mulher loira, criada por inteligência artificial (IA), ao lado do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em atos políticos. Identificada como Julia Berlli Cortez e apelidada de “loirona do Flávio”, a personagem também é associada à divulgação de conteúdo adulto pago por meio de um perfil no Instagram e de um chatbot no Telegram.

Onde foi publicado: Instagram, TikTok e X. 

Contextualizando: Nesta semana, repercutiram nas redes sociais vídeos de uma mulher loira ao lado do senador e candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A mulher, identificada como Julia Berlli Cortez, virou assunto de um vídeo do influenciador Guga Figueiredo, conhecido como o “Xerife da Internet”. Em seu Instagram, Figueiredo expôs que a loira seria, na verdade, um bot deepfake criado por inteligência artificial (IA). 

Diversas reportagens jornalísticas confirmaram a denúncia de Figueiredo  (1, 2, 3) e, mais tarde, um conteúdo da BBC identificou mais de 30 perfis similares ao de Julia Cortez. A dinâmica é parecida: os perfis usam um deepfake de inteligência artificial que manifesta apoio político a algum candidato nas eleições presidenciais e chamam os espectadores para links de sites onde vendem conteúdo adulto. 

O caso da “loirona do Flávio”

No caso de Julia Berlli Cortez, apelidada de “Bolsonaro Bombshell”, os vídeos que mais viralizaram foram montagens da mulher em  atos políticos de Flávio Bolsonaro que ocorreram nos dias 17 e 18 de outubro na Bahia, Espírito Santo e São Paulo. Nesses materiais, a personagem aparece ocupando o espaço que, nos vídeos originais, era do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Um dos vídeos que viralizou com essa configuração foi o da passagem de Flávio Bolsonaro e sua comitiva pela Praia de Camburi, em Vitória, no dia 17.

I Legenda: À esquerda, vídeo criado com IA em que aparece a personagem; à direita, o vídeo original, com Nikolas Ferreira no ato político a favor de Flávio Bolsonaro I

 

Ao submeter os vídeos ao Hive Detector, ferramenta que mede a presença de inteligência artificial nos conteúdos, o Comprova confirmou que o vídeo em que Julia Cortez aparece tem um índice consideravelmente maior de alteração por IA (14,5%) do que o vídeo original que circulou nas redes sociais. Também chama a atenção o fato de ela aparecer com a mesma roupa nos posts.

I Legenda: Capturas de tela mostram o resultado do Hive Detector I

 

No perfil do Instagram de Julia Cortez, que conta com mais de 522 mil seguidores, não há nenhum aviso de que a personagem é feita com IA — contrariando os Padrões da Comunidade da plataforma. A página mantém os vídeos alterados com IA em que Julia aparece em atos políticos de Flávio Bolsonaro, mas também divulga um link que direciona para as contas de Cortez no TikTok e Snapchat, além de um canal no Telegram voltado para a venda de conteúdo adulto. Até o dia 20 de outubro, o canal possuía 164.432 seguidores. 

I Legenda: Caminho que leva ao canal do Telegram da personagem criada por IA I 

 

Os vídeos publicados no perfil do Instagram de Julia Cortez aparecem com intervalos de aproximadamente duas horas entre as postagens. Em determinados momentos, os conteúdos relacionados à participação de Julia em protestos bolsonaristas são arquivados e, posteriormente, voltam a ser exibidos no perfil. Esse comportamento pode configurar uma técnica de camuflagem algorítmica, conforme estudos sobre a dinâmica da plataforma (1). Perfis como o de Julia costumam ocultar posts temporariamente para “limpar” seu histórico e restaurar sua reputação perante os classificadores da Meta, mitigando o risco de sofrerem shadowbanning.

No dia 20 de outubro, foi identificado um segundo perfil com a mesma foto e descrição biográfica, diferenciado apenas pelo nome de usuário.

I Legenda: Outro perfil criado em nome da mesma personagem I 

 

Já no Google, o nome de Julia Berlli Cortez leva para sites de conteúdo adulto como a plataforma Privacy,  um serviço brasileiro de venda de assinaturas de conteúdo exclusivo, semelhante ao OnlyFans. Os vídeos na página de Julia Cortez chegam a 40 mil visualizações. Os outros links conduzem para um site de vídeos pornográficos. Ambas as páginas possuem sequestro de histórico, uma técnica que redireciona os usuários para páginas de sites indesejados ou não permitem que ele volte para a aba original.

 

Os vídeos de Julia – sejam os de teor pornográfico ou os de teor político – também são replicados para outras redes sociais como o TikTok, X e Kwai. 

I Legenda: Vídeos de Julia Cortez também estão presentes no TikTok I

 

Quem está por trás do perfil 

Ao investigar os canais de monetização vinculados à personagem, o Comprova identificou que os  links disponibilizados no Instagram direcionam para um assistente virtual (chatbot) no Telegram. No aplicativo com 164.432 mil usuários mensais, com o valor mínimo de R$ 14,90, até R$ 39,90 semanais, o robô oferece pacotes de fotos, vídeos e conversas íntimas mediante pagamento via Pix. 

Considerando os pacotes semanais, que custam R$ 14,90 e R$ 39,90, o faturamento bruto potencial da venda desses conteúdos poderiam variar de R$ 9,8 milhões a R$ 26,2 milhões por mês, caso todas as inscrições correspondessem a uma única modalidade e fossem mantidas durante as quatro semanas. Os valores são estimativas e não consideram taxas, cancelamentos ou a distribuição dos assinantes entre os planos.

A decodificação da chave Pix de cobrança (formato QR Code dinâmico/EMV) revelou que a conta recebedora dos valores pertence à empresa Sync Tecnologia Ltda., sediada em Brasília, com infraestrutura processada pela instituição Bass Pago. A empresa faz parte do mesmo grupo econômico da Sync Pay Ltda., fintech especializada em soluções de pagamentos e integrações com agentes de inteligência artificial.

Procurada pela equipe do Projeto Comprova, a Sync negou qualquer vínculo de seus sócios ou colaboradores com a criação da personagem “Julia Berlli Cortez” ou a gestão do perfil e do canal no Telegram. Em nota, a empresa esclareceu que atua unicamente como intermediadora e provedora de infraestrutura de liquidação financeira para seus clientes cadastrados. A companhia afirmou ainda que, após ser notificada pelo Comprova, abriu procedimento interno de análise da conta do usuário responsável pela cobrança e adotou as providências previstas em seus termos de uso e políticas de conformidade. Por força de sigilo contratual e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a empresa não divulgou a identidade do titular da conta.

Após o contato com a empresa Sync, as contas da “Julia” caíram tanto no Telegram quanto no Instagram.

Houve tentativa de contato com a equipe de Flávio Bolsonaro para se posicionar em relação à manipulação digital das imagens em eventos de sua campanha, mas o candidato não encaminhou resposta até o fechamento desta verificação.

Com qual objetivo os vídeos foram criados?

A estratégia observada no caso da “loirona do Flávio” combina a polarização política com a venda de conteúdo adulto. Ao inserir uma personagem hiper-realista em registros verídicos de comícios e caminhadas de figuras públicas de destaque, os criadores geram curiosidade e engajamento orgânico nas redes sociais.

Esse alcance inflado serve como funil de captação: internautas atraídos pela repercussão dos vídeos políticos são conduzidos para links de plataformas eróticas pagas (como Privacy, Telegram e fóruns de conteúdo adulto). Além disso, a alternância entre arquivar e desarquivar publicações políticas no Instagram indica uma tentativa de camuflagem algorítmica para dificultar a moderação automática da Meta e evitar restrições de alcance (shadowban) por distribuição de desinformação gerada por IA.

Fontes consultadas: Para verificar o conteúdo, a reportagem comparou os vídeos virais com as transmissões e publicações oficiais da agenda de Flávio Bolsonaro, identificando que as imagens originais traziam o deputado Nikolas Ferreira. As mídias foram submetidas ao Hive AI Detector, ferramenta online gratuita que analisa probabilidades de manipulação sintética e geração por inteligência artificial em fotos e vídeos.

Para investigar a monetização e a autoria do material, a equipe do Projeto Comprova seguiu os links divulgados na biografia e nos destaques do perfil no Instagram até um assistente virtual no Telegram. O código Pix gerado para pagamento (“Pix Copia e Cola”) foi decodificado por meio de um analisador de carga EMV QR Code, que permite visualizar os dados técnicos embutidos na transação, como nome do recebedor, cidade e servidor de liquidação. A partir dessas informações, foram realizadas consultas públicas na base do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) da Receita Federal e na plataforma CNPJ.biz para identificar o quadro societário e a atividade econômica da intermediadora.

As páginas digitais e publicações foram preservadas com os serviços de arquivamento e captura de telas. Também foram consultados os Padrões da Comunidade da Meta sobre solicitação sexual e rotulagem de IA, além de contato direto com a empresa Sync Tecnologia e a assessoria de imprensa do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro.

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Além das reportagens já citadas nesta checagem, os jornais O Globo, UOL e a agência Lupa realizaram matérias sobre o caso da “loirona do Flávio”. O Comprova também já fez outros textos verificando a atuação da Meta AI nas eleições de 2026, imagens falsas envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro, conteúdos desinformativos envolvendo IA e a imagem do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Comunicados

Projeto Comprova anuncia plantão especial para o debate na TV Globo e fim de semana eleitoral, e reforça serviço Consulte o Comprova

Eleições
Iniciativa liderada pela Abraji reúne 42 veículos de comunicação em operação intensiva para monitorar, checar e combater a desinformação no momento decisivo das eleições.

O Projeto Comprova, coalizão de jornalismo colaborativo que reúne 42 organizações de mídia brasileiras lideradas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), anuncia a realização de um plantão especial de cobertura focado no debate presidencialda TV Globo nesta sexta-feira (23) e ao longo de todo o final de semana de votação.

A operação contará com equipes dedicadas ao monitoramento de redes sociais, apuração em tempo real e disseminação de verificações e publicação de dicas para se proteger da desinformação por meio de canais oficiais como WhatsApp, Instagram, TikTok e X.

Monitoramento e transmissão em tempo real

Durante a transmissão do debate da TV Globo, na noite de sexta-feira, e no final de semana eleitoral (sábado e domingo, das 9h às 18h), o Comprova atuará em duas frentes integradas:

  • Monitoramento e verificação: investigação de conteúdos suspeitos e de alegações virais que circulem durante o debate e no fim de semana do pleito.
  • Curadoria: Amplificação de verificações publicadas por iniciativas de checagem e parceiros de imprensa, centralizada principalmente no canal do Comprova no WhatsApp.
  • Educação midiática: Publicação de cards explicativos e vídeos curtos no Instagram e no TikTok, com orientações práticas para que os leitores saibam identificar manipulações e não repassem conteúdos enganosos.

Serviço “Consulte o Comprova”: suporte gratuito à imprensa

Para além da publicação direta ao público, o Comprova destaca a disponibilidade do serviço Consulte o Comprova. A ferramenta oferece consultoria e suporte gratuito a jornalistas de todo o país envolvidos na cobertura eleitoral.

Por meio do serviço, profissionais de imprensa e redações parceiras podem solicitar auxílio de especialistas para tirar dúvidas, verificar a autenticidade de mídias suspeitas (como áudios e vídeos com suspeita de adulteração ou de uso de inteligência artificial) e consultar dados técnicos de verificação durante a reta final das eleições.

Apoio e patrocinadores

A realização das atividades do Projeto Comprova e suas inovações voltadas ao pleito eleitoral são lideradas pela Abraji e contam com o apoio fundamental dos parceiros e apoiadores institucionais do projeto, ElevenLabs (desenvolvedora de tecnologia de voz e inteligência artificial) e Jusbrasil.

Sobre o Comprova

O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a fraudes virtuais.

O Comprova é uma unidade autônoma na Abraji, com orçamento próprio e governança compartilhada com os veículos que participam do projeto. As decisões institucionais são tomadas por um colegiado composto por representantes dos veículos membros e da própria Abraji.

Mais informações e acesso às checagens:

Site oficial: projetocomprova.com.br

Canal do WhatsApp: Acesse aqui para receber as checagens

Consulte o Comprova: WhatsApp do Comprova (11 97045-4984)

Comprova Explica

Investigado por: 21/10/2026

Preso vota? Entenda como funciona o voto em presídios

Comprova Explica
Após debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na TV Band, declarações sobre o voto de pessoas presas geraram dúvidas sobre as regras eleitorais.

Conteúdo analisado: No debate da Band de domingo, 18 de outubro, com os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), este último questionou Lula sobre ter a maioria dos votos de presidiários. Após a resposta do petista a Flávio, publicações sobre o tema viralizaram nas redes sociais.

Comprova Explica: Durante o embate, Flávio disse  que Lula recebeu 73% dos votos de pessoas presas, ao que o atual presidente respondeu que gostaria de receber 100% desses votos, incluindo o do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar. O tema, no entanto, envolve regras diferentes para presos provisórios e pessoas condenadas definitivamente, além de mudanças na legislação eleitoral que entraram em vigor em 2026.

A seguir, o Comprova explica o que diz a Constituição Federal, por que pessoas presas provisoriamente podem votar nas eleições deste ano e quais são as mudanças previstas para os próximos pleitos. Também esclarece se Jair Bolsonaro está autorizado a votar e mostra quais outros eleitores podem votar nas prisões.

Pessoas presas podem votar?

Depende da situação jurídica. O artigo 15, inciso III, da Constituição Federal prevê a suspensão dos direitos políticos em caso de condenação criminal com trânsito em julgado, ou seja, quando a pessoa já foi julgada, condenada e não há mais possibilidade de recurso. Sendo assim, presos em prisão definitiva não podem votar. 

A regra não se aplica para os presos provisórios, que estão sob custódia e ainda não possuem uma condenação criminal definitiva, nem a adolescentes internados que atendam aos requisitos eleitorais, pois esses mantêm o direito ao voto.

Por que presos provisórios poderão votar nas eleições de 2026?

O Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, instituído pela Lei nº 15.358, conhecida como Lei Antifacção ou Lei Raul Jungmann, entrou em vigor em março de 2026 e passou a proibir o alistamento eleitoral e o voto de pessoas presas, mesmo sem condenação definitiva.

A restrição, no entanto, não será aplicada nas eleições de outubro deste ano. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu que a mudança viola o princípio da anualidade eleitoral, previsto no artigo 16 da Constituição Federal, que impede a aplicação de alterações nas regras eleitorais a pleitos realizados menos de um ano após a entrada em vigor da norma.

Com a decisão, presos provisórios e adolescentes internados que atendam aos requisitos eleitorais poderão votar em 2026. Para isso, precisam estar com a situação eleitoral regularizada e ter solicitado a habilitação dentro do prazo estabelecido.

A participação, porém, depende de condições que nem todos conseguem cumprir. Preso provisório é a pessoa privada de liberdade que ainda não foi condenada definitivamente. É o caso, por exemplo, de quem está detido em flagrante ou cumpre prisão temporária ou preventiva durante investigações ou processos. Nos estabelecimentos penais, essas pessoas devem ficar separadas dos presos condenados.

Como a restrição foi suspensa para as eleições de 2026, a proibição poderá valer nos pleitos seguintes. A aplicação da medida, porém, poderá ser discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), onde já existem ações que questionam partes da lei. Caberá à Corte analisar a constitucionalidade da proibição e decidir se ela será mantida.

Jair Bolsonaro pode votar?

Não. O ex-presidente Jair Bolsonaro está impedido de votar em razão de sua condenação criminal definitiva pelo STF. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar. Em novembro de 2025, a condenação transitou em julgado, tornando-se definitiva, e foi determinado o início do cumprimento da pena. Portanto, o ex-presidente está com seus direitos políticos suspensos. 

Como funciona a votação dentro dos presídios?

A votação de presos provisórios ocorre em seções eleitorais instaladas dentro dos estabelecimentos penais. Segundo as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições de 2026, a Justiça Eleitoral deve organizar esses locais de votação em parceria com as administrações dos presídios. O mesmo procedimento vale para unidades de internação de adolescentes que tenham direito ao voto.

Para que uma seção eleitoral seja instalada, é necessário haver pelo menos 20 eleitores aptos a votar. Nessa contagem, podem ser incluídos policiais penais, funcionários dos estabelecimentos e mesários que optarem por votar no local. Caso o número mínimo não seja atingido e não seja possível reunir os eleitores em outra seção do mesmo estabelecimento, a seção será cancelada.

Os presos provisórios precisam estar com a situação eleitoral regularizada e solicitar a transferência temporária para votar no estabelecimento onde estão custodiados. A transferência depende da manifestação de vontade do eleitor, mediante assinatura de um formulário próprio. O prazo para solicitar a transferência terminou em 20 de agosto. 

No dia da eleição, a votação ocorre em espaços definidos pela administração do presídio, com urnas e materiais fornecidos pela Justiça Eleitoral. Candidatos e fiscais de partidos, federações e coligações podem acompanhar o processo, desde que respeitem as normas de segurança do estabelecimento. 

A resolução do TSE também determina que pessoas presas que tenham condenação criminal definitiva até o dia da eleição ficam impedidas de votar, mesmo que tenham sido anteriormente habilitadas para participar da votação.

Fontes consultadas: A apuração consultou a Constituição Federal, a Lei Antifacção, materiais do Ministério Público Federal sobre o voto de presos provisórios e uma reportagem da Agência Senado, que reúne dados do TSE, da OAB de São Paulo e do CNJ. Para verificar a situação eleitoral de Jair Bolsonaro, foram consultadas informações do Supremo Tribunal Federal sobre sua condenação definitiva.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: A AFP já explicou como funciona o direito ao voto para presos no Brasil, que pode ser extinto em 2027. No primeiro turno das eleições de 2026, o Comprova verificou que interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos.

Contextualizando

Investigado por: 21/10/2026

Troca de seções eleitorais foi solicitada por tribunais estaduais

Contextualizando
Diferentemente do que postagens no X apontam sobre mudanças das seções eleitorais, alteração não foi decisão unilateral do presidente do TSE; nota dos Tribunais Regionais Eleitorais esclarece que a mudança tem como foco prevenir imprevistos no dia da votação.

Conteúdo analisado: Publicações nas redes sociais afirmam que a mudança de locais de votação para o segundo turno das eleições teria ocorrido por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, e pode prejudicar o resultado do pleito. 

Onde foi publicado: X. 

Contextualizando: Publicações nas redes sociais afirmam que as mudanças nos locais de votação para o segundo turno das eleições 2026 podem prejudicar o resultado do pleito. Fora de contexto, os conteúdos podem levar à interpretação de que as mudanças foram realizadas para beneficiar um candidato ou interferir no resultado da votação.

Conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as alterações entre o primeiro e o segundo turno acontecem em todas as eleições e “seguem regras e atendem a necessidades de segurança”, como adversidade climática. O site do TSE cita que as mudanças ocorrem principalmente devido a intempéries climáticas e à preservação da integridade física de eleitoras, eleitores, mesárias e mesários. 

Um dos casos emblemáticos ocorreu no município de Confresa, no interior de Mato Grosso. Após fortes chuvas e ventos registrados em 9 e 10 de outubro, uma escola municipal utilizada como local de votação teve a cobertura danificada e sofreu com infiltrações e comprometimento de forros.  

Um laudo de engenharia emitido em 11 de outubro recomendou a interdição preventiva imediata do imóvel, o que forçou a transferência de emergência das seções para um endereço vizinho. 

Além dos eventos climáticos extremos, manutenções prediais de última hora, reformas não concluídas em escolas públicas e perda de condições mínimas de acessibilidade ou fornecimento de energia elétrica também motivaram decisões das zonas eleitorais responsáveis. 

O TSE esclarece que as alterações são feitas primeiramente pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e cartórios locais. Depois, são encaminhadas para o TSE, que compila e divulga as informações no site e no aplicativo e-Título.

Os locais de votação são definidos previamente, mas o TSE alerta que situações excepcionais, como danos estruturais ou emergências climáticas, podem exigir mudanças de última hora, até mesmo no dia da votação, para garantir a segurança dos eleitores e dos mesários. Até o último levantamento, feito em 19 de outubro, o TSE alterou 444 locais de votação do primeiro para o segundo turno em 22 estados, tendo atingido cerca de 130 mil eleitores, segundo reportagem do G1. 

A decisão foi do ministro Kassio Nunes Marques?

Não, a decisão partiu dos próprios Tribunais Regionais Eleitorais. 

Em 19 de outubro, o Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais (Coptrel) divulgou uma nota conjunta, endereçada ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, com esclarecimentos sobre a atualização dos locais de votação para o segundo turno das eleições, onde destacam que “os principais motivos que levam os TREs a realizar essas alterações são sempre extraordinários e estão relacionados à ocorrência de situações climáticas extremas, a problemas não identificados previamente na infraestrutura dos prédios utilizados como locais de votação e a questões de segurança pública”. No documento, os TREs esclarecem que a alteração dos locais de votação é de competência exclusiva dos tribunais.

A mudança de locais de votação não é uma prática inédita. Em eleições anteriores, TREs de diferentes estados adotaram medidas semelhantes por razões como reformas em escolas e problemas estruturais. Em 2018, mais de 90 mil eleitores tiveram o local de votação alterado em Belo Horizonte, segundo informações do TRE de Minas Gerais obtidas pelo G1.

O que o eleitor deve fazer? 

A Justiça Eleitoral orienta os eleitores a consultar o endereço e o número da seção antes de sair de casa para votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro. A consulta pode ser feita pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal do TSE, ou pelo aplicativo e-Título. Também é recomendável acompanhar os comunicados do TRE do respectivo estado.

Os dados de seções eleitorais em que houve alteração do local de votação do primeiro para o segundo turno das Eleições 2026 podem ser consultados no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na página de estatísticas eleitorais, em “Eleitorado da eleição” e, depois, “em Capilaridade”, no menu lateral esquerdo. Dentro da página, localize “Seções Eleitorais Alteradas no Segundo Turno”. No alto da página, é possível filtrar a pesquisa por ano de eleição, país, região, UF, município, zona eleitoral e local de votação. 

Os números ainda estão sendo atualizados à medida que as zonas eleitorais concluem os registros e ajustes necessários nos sistemas da Justiça Eleitoral, inclusive para refletir a manutenção, no segundo turno, de locais que haviam sido alterados provisoriamente no primeiro.

Reação

Com receio de que alterações nos locais de votação aumentem a abstenção, que foi de 21,08% no primeiro turno, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação do presidente Lula pediram providências ao TSE. 

Em ofício ao presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, o vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, defendeu a notificação dos eleitores por WhatsApp e SMS, a instalação de avisos nos prédios desativados e a presença de orientadores no dia do pleito. Já a campanha petista solicitou reforço na divulgação das mudanças e oferta de transporte público aos eleitores.

Fontes consultadas: O Comprova buscou informações no site do TSE e notícias veiculadas sobre o assunto. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova checou conteúdos semelhantes,  como uma sobre a entrega das mídias com os resultados das urnas usadas nas eleições ser feita em uma sala aberta, além de outra envolvendo a contagem de votos no primeiro turno das eleições gerais de 2026. A Lupa fez uma checagem sobre conteúdos desinformativos que circulavam contra o sistema eleitoral. O Estadão Verifica e a AFP também checaram conteúdos semelhantes. O Comprova Explica também publicou dicas e orientações para o segundo turno das eleições.

Comunicados

Investigado por: 21/10/2026

Você acompanha o Comprova? Participe de uma conversa do projeto Vozes Confiáveis

Pesquisa
O projeto Vozes Confiáveis investiga como as audiências do Comprova compreendem as verificações jornalísticas. Para isso, convidamos pessoas com 18 anos ou mais que acompanham nossos conteúdos a participar de uma conversa online em grupo.

O projeto Vozes Confiáveis investiga como as audiências do Comprova compreendem as verificações jornalísticas. Para isso, convidamos pessoas com 18 anos ou mais que acompanham nossos conteúdos a participar de uma conversa online em grupo.

Durante o encontro, mostraremos exemplos de conteúdos e suas respectivas verificações para ouvirmos as primeiras impressões, dúvidas e opiniões. Não avaliaremos os conhecimentos dos participantes. A participação é voluntária, e as pessoas selecionadas receberão informações completas sobre a atividade antes de decidirem se desejam participar.

Para manifestar interesse, acesse este formulário até o dia 30 de outubro. Dúvidas: [email protected].

O Vozes Confiáveis é um projeto para entender como as pessoas compreendem as verificações do Comprova nas eleições de 2026. Queremos entender como o público interpreta as explicações oferecidas nas checagens e se reconhece o trabalho conjunto dos veículos participantes para melhorar a forma como produzimos nosso conteúdo.

Instituições envolvidas no projeto: Universidade Federal de São Paulo (Unifesp, Brasil), Universidade Lusófona (Portugal), Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW, Austrália)  e Universidade de Nebrija (Espanha).

Comprova Explica

Investigado por: 20/10/2026

Onde votar? Qual horário? Confira dicas para o segundo turno das eleições

Comprova Explica
Neste domingo (25), será realizada a votação para escolha do presidente do país e, em cinco estado e no Distrito Federal, para governador; tire suas dúvidas antes de ir às urnas.

Conteúdo analisado: Posts dizendo que alguns eleitores deverão votar no segundo turno em um local diferente do primeiro são verdadeiros, mas muita desinformação circula nas redes sociais às vésperas da eleição. Há posts falsos falando sobre mudança no dia da votação e outros dizendo que, sem o e-Título, o eleitor não pode votar. 

Comprova Explica: O segundo turno das eleições será neste domingo, dia 25 de outubro, quando os brasileiros voltarão às urnas para votar para presidente no país todo e para governador em cinco estados e no Distrito Federal. Faltando poucos dias para o pleito, eleitores ainda têm dúvidas sobre a data da votação, os documentos necessários e o local onde devem votar – recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou mudanças de endereço de algumas seções eleitorais.

Para tirar as principais dúvidas dos eleitores, o Comprova Explica traz informações sobre como conferir se seu local de votação foi alterado e esclarece alguns dos pontos sobre o processo eleitoral que são alvo de desinformação. 

Onde devo votar? 

O Tribunal Superior Eleitoral anunciou mudanças de endereço de alguns locais de votação para o segundo turno, marcado para o próximo dia 25 de outubro. De acordo com o posicionamento oficial do TSE, as alterações de endereço não foram feitas aleatoriamente nem têm o objetivo de favorecer ou prejudicar qualquer candidatura. 

O órgão afirma que a medida partiu dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) por critérios de “eficiência” e “economia”, além de considerar um contexto de eventos climáticos extremos que pudessem comprometer as condições de um determinado colégio eleitoral. O Comprova verificou que até às 10h de 20 de outubro, 142 locais de votação foram alterados do primeiro para o segundo turno, de acordo com os dados do TSE. 

Como consultar o local de votação?

Para verificar o local de votação, acesse o canal de Autoatendimento Eleitoral do site do TSE e clique em “Onde votar”, na aba de “Consultas”. Em seguida, ao inserir seus dados pessoais, a plataforma já indicará o endereço da sua zona e seção eleitoral. 

Outra forma de consultar o local de votação é através do aplicativo do e-Título, disponível para ser baixado gratuitamente no celular. Ao se cadastrar na plataforma, outros serviços relacionados ao processo eleitoral também estão disponíveis, como justificativa de ausência, consulta e pagamento de débitos eleitorais e leitura de boletins de urna. 

Qual o horário da votação?

A maioria das seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h (horário de Brasília) no domingo. Há postagens e áudios que podem induzir eleitores ao erro ao dizer que a votação foi antecipada, prorrogada ou que determinados lugares terão horários diferentes.

Um exemplo de peça desinformativa que circulou no primeiro turno foi uma postagem na rede social X que alegou, em tom irônico, que os eleitores de Lula (PT) votariam na segunda-feira (5 de outubro), enquanto os de Flávio Bolsonaro (PL) o fariam no domingo (4 de outubro). Porém, a data de votação – tanto no primeiro quanto no segundo turno – é a mesma para todos os eleitores e, agora, é 25 de outubro. 

O que pode mudar é o horário, por conta do fuso horário de cada região. Confira os horários de votação no Brasil (no horário local):

  • no Acre a nas cidades amazonenses de Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Eirunepé, Envira, Guajará, Ipixuna, Itamarati, Jutaí, Tabatinga e São Paulo de Olivença: das 6h às 15h
  • nos demais municípios do Amazonas: das 7h às 16h
  • em Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: das 7h às 16h
  • em Fernando de Noronha: das 9h às 18h
  • nos demais estados e no Distrito Federal: das 8h às 17h

Não votei no primeiro turno. Posso votar agora?

Pode. O eleitor que não votou no primeiro turno pode exercer o direito de voto no segundo turno, no domingo (25).  Segundo regras da Justiça Eleitoral, a ausência na primeira etapa não impede a participação na segunda votação. 

Isso acontece porque cada turno é considerado uma eleição independente para efeito de comparecimento às urnas. Por isso, quem deixou de votar no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, pode votar normalmente no segundo, desde que o título eleitoral não esteja cancelado nem suspenso. 

A Justiça Eleitoral cancela a inscrição eleitoral de quem deixa de comparecer a três eleições consecutivas, sem justificar as ausências ou pagar as multas devidas. Como cada turno conta como uma eleição independente, fica impedido de ir às urnas quem não votou nos últimos três turnos.

Em quem vou votar?

No segundo turno, os eleitores vão às urnas para escolher o novo presidente e, em cinco estados e no Distrito Federal, a disputa para o governo estadual também ficou na segunda etapa. 

A votação para governador acontece no Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins, além do Distrito Federal. Dessa forma, nessas localidades, os eleitores vão às urnas para a escolha de dois cargos: presidente e governador. Ambos os cargos têm dois dígitos nas urnas.

No restante do país, os brasileiros vão votar apenas para definir o próximo presidente da República. Os candidatos ao Palácio do Planalto são Flávio Bolsonaro, do PL (número de urna: 22), e Lula, do PT (número de urna: 13). Antes de ir às urnas, o eleitor pode simular o voto em uma ferramenta da Justiça Eleitoral.

Quais documentos posso levar?

Ao comparecer às urnas no segundo turno, o eleitor precisa apresentar um documento oficial com foto. Pode ser um dos documentos abaixo:

  • RG
  • Identidade social,
  • Passaporte,
  • Carteira de Categoria Profissional,
  • Certificado de reservista ou
  • CNH

De acordo com o TSE, documentos em formato digital são aceitos, exceto Carteira de Trabalho Digital.

O eleitor também pode votar apresentando apenas o e-Título se o aplicativo apresentar foto. Caso não haja a fotografia, é preciso apresentar outro documento com foto. Documentos com validade expirada podem ser utilizados, desde que permitam a comprovação da identidade do eleitor. Certidões de nascimento ou de casamento não são admitidas como prova de identidade no momento da votação.

Li que meu título pode ter sido cancelado, é verdade? 

O TSE já alertou para golpes via e-mails e mensagens falsas em que criminosos se passam por órgãos oficiais para obter informações pessoais de eleitores. Os criminosos entram em contato com as vítimas solicitando seus dados e dizem que, caso não sejam fornecidos, seus títulos eleitorais serão cancelados. É importante ressaltar que os títulos de eleitores só são cancelados caso os cidadãos não tenham votado e nem justificado a ausência nas urnas nos últimos três turnos.

A Justiça Eleitoral informa que não envia e-mails aos eleitores para comunicar cancelamento de títulos ou para convocar mesários – com exceção dos tribunais regionais eleitorais dos estados do Rio Grande do Sul, do Pará, de São Paulo, da Bahia, do Mato Grosso do Sul, do Goiás e do de Santa Catarina. O contato via e-mail, no entanto, só é feito caso seja autorizado previamente pelo mesário convocado. 

Sabia que o transporte público é gratuito no domingo de eleição? 

O transporte público municipal e intermunicipal, inclusive o metropolitano, é gratuito nos dias de votação. A redução da frota nesses dias pode, inclusive, configurar crime eleitoral, segundo o Código Eleitoral.

Cuidado com resultados e parciais antes da divulgação oficial 

Parciais começam a circular antes da apuração completa das urnas, e isso pode gerar desinformação. No primeiro turno, por exemplo, o Comprova verificou posts segundo os quais o resultado havia sido afetado por conta de uma interrupção na apuração dos votos, o que não era verdade. Como mostrou a checagem, a interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos.

Não existe um horário fixo determinado pelo TSE para a divulgação do resultado oficial das eleições, mas a apuração das urnas começa a partir das 17h (horário de Brasília), logo após o encerramento da votação. Os resultados das eleições gerais poderão ser acessados pelo site Resultados do TSE ou por aplicativo para dispositivos móveis.

Posso compartilhar conteúdos nas redes sociais?

Nos dias anteriores e no dia do pleito, informações enganosas sobre o processo eleitoral passam a circular mais intensamente nas redes sociais. Muitas delas se passando como oficiais, a partir da imagem do TSE e supostos mesários, por isso, é essencial que o eleitor se atente para as informações publicadas pela própria Justiça Eleitoral. 

Antes de compartilhar qualquer conteúdo, além de conferir as informações oficiais divulgadas pelo órgão eleitoral, a pessoa também deve se atentar para a possibilidade do material ter sido gerado ou alterado com inteligência artificial. O eleitor pode submeter os conteúdos a plataformas de detecção de IA, como SynthID, da Google.

O assunto passou a ser tratado especificamente nas eleições de 2026 pela Resolução nº 23.610 do TSE. As regras determinaram a obrigatoriedade da identificação de uso de IA nos materiais de campanha e proibição de publicação e republicação, gratuitas ou impulsionadas, de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por IA, no período compreendido entre as 72 horas que antecedem e as 24 horas que sucedem o término do pleito. 

Apenas no primeiro turno, o TSE desmentiu que o órgão tivesse estabelecido duas datas de votação diferentes para eleitores de cada candidato e que o tribunal tivesse anunciado a possibilidade de voto on-line pelo celular devido à chuva. O eleitor também pode conferir as checagens de desinformações feitas pelo próprio TSE, no Fato ou Boato.

Fontes consultadas: O Comprova consultou informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral. 

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta, nesse monitoramento, um tema que gera muitas dúvidas e desinformação, o Comprova Explica. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Durante e após o primeiro turno das eleições, o Comprova já mostrou que um vídeo antigo de policiais voltou a circular com uma denúncia infundada sobre urnas eletrônicas e checou publicações desinformativas sobre a interrupção da divulgação dos resultados e sobre o processo de apuração dos votos. 

Golpes virtuais

Investigado por: 20/10/2026

Perfis criam vínculos afetivos para manipular ou obter vantagens financeiras

Golpes virtuais
Nas redes sociais, páginas com conteúdos reais e também criados com inteligência artificial estabelecem vínculos emocionais com as vítimas, principalmente pessoas mais velhas.

Golpe da cantada, golpe do amor ou “romance scam”

A seção Golpes Virtuais do Comprova já abordou o golpe do relacionamento ou catfishing, quando criminosos se passam por pessoas atraentes para fisgar vítimas em aplicativos de relacionamento e pedir pagamentos. Recentemente, surgiu outra modalidade do golpe, que pode se chamar também golpe da cantada, golpe do amor ou “romance scam”. Ele acontece quando perfis reais ou feitos por inteligência artificial (IA) são criados para conquistar a confiança das vítimas —  geralmente idosos — através de declarações afetivas e promessas de relacionamentos. Após estabelecer um vínculo emocional, os criminosos podem pedir dinheiro, presentes ou incentivam a pessoa a fazer investimentos em plataformas fraudulentas. A prática pode causar prejuízos financeiros, além de danos emocionais, como ansiedade, culpa e dificuldade de confiar em novas relações.

Como os golpistas abordam as pessoas: Os criminosos atuam nas redes sociais criando perfis reais ou feitos a partir da inteligência artificial, com posts com mensagens envolventes para pedir dinheiro, engajamento – para monetizar suas páginas – ou investimentos em plataformas fraudulentas.

Qual é o objetivo do golpe: Conquistar a confiança da vítima e desenvolver um vínculo emocional para que, assim, a pessoa se torne mais suscetível a atender pedidos de ajuda financeira, engajamento ou, na variante do golpe chamada “pit butchering”, aceitar investir em plataformas fraudulentas ou criptomoedas. 

Como os golpistas abordam as pessoas: Nas redes sociais, o Comprova analisou diversos perfis que publicam vídeos com o objetivo de conquistar a atenção dos seguidores, principalmente para viralizar e monetizar conteúdos. Em um dos conteúdos, o autor fala diretamente com o público, usando elogios e declarações amorosas: “Oh, coroa bonita, viu? Eu tenho olhado seu perfil, sorriso hipnotizante, muito linda, charmosa, a idade e o tempo estão te fazendo ficar cada vez mais maravilhosa […]. Eu gosto tanto de você, vamos se conhecer […]. Eu quero uma coroa dessa pra fazer parte da minha vida”.

O perfil analisado tem cerca de 1 milhão de seguidores, e a maioria dos vídeos segue esse formato. Nos comentários, há mulheres que demonstram acreditar que as declarações são direcionadas a elas. “Boa tarde, obrigado, isso é comigo?”, escreveu uma seguidora. “Tô aqui, gatinho”, comentou outra.

No modelo em que os criminosos pedem engajamento, os posts costumam conter mensagens pedindo que a pessoa curta e comente os posts. Dessa forma, conseguem monetizar suas páginas. Nesse caso, não há extorsão financeira, mas a vítima acredita estar se relacionando com alguém, o que não ocorre.

Segundo o psicólogo Laércio Oliveira, as pessoas idosas são mais propensas a cair neste golpe por geralmente lidarem com o abandono da família e amigos. “Isso gera uma carência enorme”, diz o especialista. Por isso, tendem a sentir necessidade de encontrar um parceiro ou parceira, ainda que virtualmente. 

Um exemplo disso foi o caso de uma idosa de 70 anos que foi encontrada no aeroporto de Santarém, no oeste do Pará, após sair de casa com a intenção de encontrar uma pessoa com quem conversava pela internet. Segundo a Polícia Civil, a mulher estava sendo enganada por meio de conteúdos produzidos com inteligência artificial, que prometiam emprego, vantagens financeiras e um relacionamento amoroso, conforme reportagem do G1.

No caso de contas que usam IA, fica mais difícil identificar quem está por trás do conteúdo.  Um dos perfis analisados, com cerca de 28 mil seguidores, não apresentava identificação de que o material era produzido artificialmente e utilizava a mesma estratégia de vídeos com elogios e declarações afetivas como se estivesse falando diretamente com a pessoa. 

Em números: Um estudo lançado em 2025 pela iniciativa “Era Golpe, Não Amor” revelou que quatro em cada dez mulheres já foram vítimas de estelionato sentimental, também conhecido como “Golpe do Amor”. O estudo entrevistou cerca de 1.200 mulheres, sendo que 22% afirmaram conhecer alguém que passou por esse tipo de abordagem em aplicativos de relacionamento, 9% relataram terem sido abordadas diretamente, mas conseguiram identificar a tentativa de golpe na hora, e 7% só perceberam que estavam sendo enganadas após algum tempo de interação.

O levantamento aponta que 53% das vítimas relataram que o golpista pediu dinheiro emprestado, enquanto 25% afirmaram que houve solicitação de ajuda para pagar alguma conta.

Um caso de 2025, registrado em Feira de Santana (BA), é o de um homem que foi preso por aplicar o golpe do amor na internet e ter feito pelo menos 13 vítimas em quatro estados. Os prejuízos ultrapassam R$ 200 mil, de acordo com reportagem da CBN.

Quais táticas eles usam para chamar a atenção: Os golpistas abordam a vítima através de um contato aparentemente inofensivo, por meio de redes sociais. Normalmente usando uma identidade falsa, os criminosos iniciam uma conversa envolvente, estabelecendo uma relação emocional com a vítima.

Uma vez que a confiança entre a vítima e o criminoso seja estabelecida, o golpista passa a incentivá-la a investir em plataformas fraudulentas ou realizar pagamentos diretos para a conta do golpista.  Para isso, o criminoso pode criar histórias convincentes que demandem uma solução rápida: “uma emergência médica, um projeto de trabalho que exige investimento imediato, a necessidade de enviar um presente ou resolver uma burocracia temporária”, conforme o governo federal. 

Após semanas ou meses nessa relação, depois que a vítima já depositou valores em outra conta bancária, o criminoso bloqueia seu contato ou o site da plataforma falsa fica fora do ar. Ao perceber que foi enganada, a vítima do golpe lida com “consequências emocionais significativas”, conforme o psicólogo Laércio Oliveira. Entre elas estão a “ansiedade, tristeza, culpa, vergonha, baixa autoestima e dificuldade de confiar em novos relacionamentos.” 

Como se proteger: A prevenção ao golpe da cantada passa por educação financeira, educação socioemocional, ceticismo saudável e fortalecimento da autoestima. Veja alguns cuidados práticos que ajudam a se proteger desse tipo de golpe: 

  • Nunca envie dinheiro a alguém que conheceu apenas pela internet;
  • Desconfie de histórias com apelo emocional intenso e urgência financeira;
  • Verifique imagens e perfis usando ferramentas de busca reversa;
  • Solicite chamadas de vídeo sempre que possível;
  • Compartilhe sua experiência com pessoas de confiança. Uma perspectiva externa pode perceber incoerências que a emoção não permite ver;
  • Em caso de suspeita, denuncie o perfil nas redes sociais e procure orientação jurídica e psicológica.

Além disso, é importante identificar e compreender seus gatilhos emocionais e que carência, medo da solidão e desejo de reconhecimento podem ser explorados pelos golpistas.

“Necessidades de afeto, pertencimento e validação emocional podem, em determinadas situações, aumentar a vulnerabilidade à manipulação. Também podemos observar vieses cognitivos, como o viés de confirmação, quando a pessoa tende a valorizar aquilo que confirma suas expectativas sobre o relacionamento e acaba desconsiderando sinais de alerta”, explica o psicólogo Laércio Oliveira.

A quem denunciar: Ao perceber o golpe, é fundamental buscar ajuda imediatamente, além de registrar uma denúncia nos seguintes canais:

  • À própria plataforma onde o golpe/tentativa foi aplicado: denuncie o perfil ou a publicação suspeita pelos canais oficiais da rede social. Guarde capturas de tela, links e mensagens antes de bloquear a conta.
  • À Polícia Civil: se houver suspeita de fraude, extorsão, ameaça ou prejuízo financeiro, registre um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado.
  • Aos órgãos de defesa do consumidor: se houver problemas relacionados à venda de produtos ou serviços, é possível procurar o Procon ou registrar uma reclamação no Consumidor.gov.br, caso a empresa esteja cadastrada na plataforma.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Como afirmado acima, o Comprova já explicou como identificar e se proteger do golpe do relacionamento (catfishing). O G1 também produziu uma reportagem alertando sobre os “sedutores de idosos” no TikTok.

Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.

Comprova Explica

Investigado por: 19/10/2026

Clubes e torcidas organizadas: como se posicionam politicamente

Comprova Explica
Entenda a diferença entre manifestações de integrantes, posicionamentos de torcidas organizadas e decisões oficiais dos clubes na disputa eleitoral.

Conteúdo analisado: Posts com fotos de torcedores do Corinthians e do Palmeiras juntos em ato pró-Lula (PT) afirmam que times teriam declarado apoio a ele na eleição presidencial. 

Comprova Explica: A proximidade entre futebol e política costuma gerar debates intensos nas redes sociais. Em manifestação a favor do presidente Lula (PT) em 11 de outubro, em São Paulo, viralizou uma foto de dois torcedores, um do Corinthians e o outro do Palmeiras. Alguns posts usaram a imagem para afirmar, erroneamente, que os times teriam declarado apoio ao candidato petista. 

Algumas postagens enganosas apontaram ainda que os dois homens seriam diretores da Gaviões da Fiel e da Mancha Alviverde, sugerindo que ambas as agremiações teriam formalizado apoio conjunto a Lula.

A seguir, entenda a relação dos times e torcidas com políticos na época das eleições. 

O que dizem os dez maiores clubes do Brasil

O Comprova consultou os dez primeiros colocados no Ranking Nacional de Clubes de futebol masculino da Confederação Brasileira de Futebol (CBF): Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Atlético Mineiro, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Athletico Paranaense, Bahia e Vasco da Gama.

Três agremiações responderam aos pedidos de esclarecimento: Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro. Todas informaram que não apoiam nenhum candidato e que mantêm estrita neutralidade partidária.

A postura reflete a praxe e as normas estatutárias dos clubes brasileiros pesquisados pelo Comprova. A maioria dos estatutos sociais dos clubes prevê expressamente que as agremiações são laicas, apartidárias e impedidas de ceder suas instalações, marcas ou símbolos para campanhas políticas, resguardando o caráter plural de suas massas torcedoras.

Os demais sete clubes consultados não retornaram os pedidos de informação até a publicação desta checagem. Uma pesquisa nos canais oficiais de comunicação e redes sociais das agremiações indicou que nenhum clube publicou manifestações de endosso eleitoral a Luiz Inácio Lula da Silva ou a Flávio Bolsonaro (PL). Postagens de cunho social — como a veiculada pelo Esporte Clube Bahia com referências à democracia e à música latino-americana — não fazem menção a postulantes a cargos públicos.

I Legenda: Capturas de tela das respostas do Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro I

 

O Comprova também contatou a CBF, mas não houve retorno até a publicação deste texto. 

Como se posicionam as diretorias das torcidas organizadas

O termo “torcida organizada” abriga agremiações civis com perfis, tradições e dinâmicas internas muito distintas. De acordo com Felipe Tavares Paes Lopes, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), as diretorias das torcidas organizadas tradicionalmente evitam vincular suas entidades formalmente a campanhas partidárias.

“Em geral, as torcidas organizadas tendem a não se vincular institucionalmente a manifestações políticas, a fim de blindar a própria instituição”, pontua o pesquisador. Segundo ele, pesam nessa decisão o receio de retaliações por parte de órgãos públicos e o risco de acirrar divergências internas, já que o corpo de associados de uma torcida é politicamente heterogêneo.

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) foi contatada pelo Comprova para comentar a participação de torcedores uniformizados em atos públicos, mas não encaminhou resposta até o fechamento desta apuração.

Quem são os dois torcedores  

A foto que viralizou é verdadeira e foi confirmada por ambos os torcedores. “A foto foi feita de forma espontânea” afirmou o Coletivo Democracia Corinthiana (CDC) ao Comprova. 

No entanto, os torcedores não são diretores da Gaviões da Fiel e da Mancha Alviverde, diferentemente do que sugere o post analisado pelo Comprova.

O corintiano Weverton Cruz disse à reportagem que seu comparecimento ao ato pró-Lula se deu por iniciativa própria: “Eu faço parte da Gaviões, sou membro associado, mas não sou liderança nem da diretoria.” Segundo ele, sua participação no ato foi motivada pela defesa da democracia e pelo histórico de mobilização da torcida corintiana.

Cruz também afirma que a mobilização ocorreu em sintonia com movimentos independentes, como o Coletivo Democracia Corinthiana. 

O palmeirense Bruno Azevedo também confirmou a autenticidade do registro e relatou que decidiu ir ao ato de forma individual. Membro de torcida organizada desde a adolescência, ele enfatizou que sua presença buscou ressaltar pautas democráticas e combater a desinformação. “A rivalidade precisa ser justa, respeitosa e, mais do que isso, democrática”, afirmou à reportagem.

Coletivos independentes e movimentos antifascistas

Embora as diretorias das torcidas evitem consolidar posições institucionais em pleitos, a presença de bandeiras, camisas de clubes e faixas em manifestações políticas é frequente no Brasil. Esse fenômeno se dá, sobretudo, pela atuação de coletivos ativistas e frentes antifascistas formadas nas arquibancadas.

Conforme explica o professor Felipe Lopes, nos últimos anos multiplicaram-se grupos autônomos que atuam paralelamente às torcidas organizadas tradicionais. Esses agrupamentos levam pautas de direitos sociais, defesa da democracia e combate a preconceitos aos estádios e às ruas. 

Quando integrantes dessas frentes ou torcedores avulsos comparecem a comícios empunhando vestimentas e bandeiras com as cores de seus times, expressam suas convicções políticas individuais ou de seus coletivos, sem que isso represente deliberação oficial ou chancela das agremiações esportivas e das diretorias das torcidas uniformizadas.

Fontes consultadas: O Comprova entrevistou os torcedores retratados na imagem, Weverton Cruz e Bruno, e Felipe Tavares Paes Lopes, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp. Além disso, contatou representantes do CDC. Foram procurados os dez primeiros colocados do Ranking Nacional de Clubes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2026, bem como aa Anatorg e a CBF. Também foi realizada uma análise  de estatutos sociais e monitoramento de redes institucionais dos clubes de futebol.

Por que o Comprova explicou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, eleições e temas de interesse público. A circulação descontextualizada de imagens de torcedores rivais em manifestações políticas foi utilizada para criar falsas noções de aliança formal entre agremiações desportivas e candidaturas presidenciais. O Comprova Explica atua para esclarecer a verdade dos fatos, o papel institucional dos clubes e os limites da atuação de coletivos e torcedores organizados. Sugestões de verificação podem ser enviadas WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: Ainda sobre a manifestação realizada em 11 de outubro em São Paulo, o Comprova verificou que posts no X distorcem atos pró-Lula na Paulista e em Copacabana. Sobre as eleições, publicou que entrega de mídias de urnas em sala aberta segue protocolo e regras da Justiça Eleitoral e que interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos no primeiro turno.