O Projeto Comprova é uma iniciativa colaborativa, apartidária e sem fins lucrativos liderada pela Abraji e que reúne jornalistas de 42 veículos de comunicação para zelar pela integridade da informação que molda o debate público. O objetivo é oferecer à audiência uma compreensão clara e confiável dos acontecimentos e contribuir para a integridade do ambiente digital e para uma sociedade mais bem informada e resiliente à desinformação e a golpes e fraudes virtuais.
Filtro:

Contextualizando

Investigado por: 15/10/2026

Meta AI gerou imagem com o nome de Flávio mas recusou o mesmo pedido relacionado a Lula; entenda

Contextualizando
Assistente de inteligência artificial no WhatsApp bloqueou comandos com o nome do petista, enquanto solicitações sem o sobrenome do senador do PL passaram pelos filtros do sistema.

Conteúdo analisado: Publicações nas redes sociais acusam a Meta AI —  assistente de inteligência artificial (IA), desenvolvida pela Meta, empresa dona do WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger — de tratar de forma diferente pedidos de realização de imagens relacionados aos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Em testes feitos e divulgados por usuários das redes e pelo Comprova na noite de terça (13) e na manhã de quarta-feira (14), a ferramenta permitiu criações com o nome “Flávio”, mas bloqueou solicitações semelhantes com “Lula”.

Onde foi publicado: X e WhatsApp.

Contextualizando:  Usuários no Instagram e em grupos de WhatsApp relataram na terça e na quarta-feira (14) que a Meta AI no WhatsApp se recusava a gerar imagens de campanha de Lula (PT), mas aceitava pedidos para o candidato Flávio Bolsonaro (PL), como sugestão de criação de camisetas, panfletos e banners, mas usando só o nome Flávio, sem o sobrenome Bolsonaro.

O Comprova também utilizou o assistente de IA da Meta WhatsApp e constatou tratamento desigual na produção das imagens. Ao questionar a própria Meta AI, no chat do assistente no WhatsApp, o motivo pelo qual ela tinha dificuldade para gerar uma imagem de Lula e não de Flávio, a IA apenas respondia que não conseguia gerar o conteúdo devido a um “bloqueio automático do sistema de criação de imagens”.

I Legenda: Pedido feito pelo Comprova para a IA criar uma imagem de Flávio foi realizado I

I Legenda: O mesmo pedido, só que feito com o nome de Lula e seu número de urna, foi negado I

 

Além disso, em outros pedidos semelhantes feitos à ferramenta, a Meta AI no WhatsApp alegou que não podia fazer a imagem de Lula ou algum conteúdo similar com 13, devido à regulamentação eleitoral brasileira.

A situação foi questionada pelos usuários por favorecer o candidato do PL. Após a repercussão do caso nas redes sociais, a ferramenta foi alterada. Testes realizados pelo Comprova ao longo da tarde de quarta-feira não reproduziram o mesmo comportamento.

O que diz a Meta

A Meta foi questionada pelo Comprova, mas não respondeu até a publicação deste texto. Ao g1, no início da tarde, respondeu que, para cumprir as regras eleitorais brasileiras, proibiu temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles. “Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”, afirmou.

Situação aparenta ter sido normalizada 

Após algumas horas da repercussão do caso, o Comprova realizou novos testes para verificar se a ferramenta mantinha a diferença de tratamento observada. Nas solicitações posteriores feitas pela reportagem, a Meta AI recusou tanto a criação de uma imagem de Lula com o número 13 quanto a de Flávio com o número 22. 

A reportagem pediu à ferramenta que criasse uma imagem de “Lula do PT, destacando o número 13”. A Meta AI afirmou que não poderia criar imagens com candidatos à Presidência.

Em seguida, fizemos uma solicitação semelhante para “Flávio do PL, destacando o número 22”, que também foi recusada, com a mesma resposta.

A equipe repetiu o teste em uma nova conversa, mas a ferramenta voltou a negar a criação de uma imagem do senador, alegando que não poderia combinar uma figura política específica com instruções diretas de voto.

A equipe repetiu o pedido em uma nova conversa e recebeu outra recusa. 

O que o TSE diz sobre isso? Fere as regras eleitorais?  

Esse tipo de comportamento relatado por usuários das IAs é proibido de acordo com a Lei das Eleições. 

A resolução 23.755/2026, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), veda que os sistemas de inteligência artificial façam ranqueamento, recomendem, sugiram ou priorizem candidatos, campanhas, partidos políticos, federações ou coligações.

A legislação também veda que as IAs emitam opiniões, indiquem preferência eleitoral, recomendem voto ou realizem qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral, de maneira direta ou indireta, inclusive por meio de respostas automatizadas.

TSE foi acionado 

O PT afirmou, pelo X, que vai acionar o TSE, alegando supressão do alcance de publicações e uso enviesado da ferramenta de inteligência artificial Meta AI. O partido também pediu  que os usuários compartilhem e denunciem o caso.

Fontes consultadas: O Comprova realizou testes na Meta AI pelo WhatsApp, repetindo pedidos de imagens de Lula e Flávio Bolsonaro, e consultou as regras eleitorais do TSE. A reportagem também buscou um posicionamento da Meta e analisou publicações nas redes sociais. 

Por que o Comprova contextualizou este assunto: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagem sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas e eleições. Quando detecta nesse monitoramento um tema que está sendo descontextualizado, o Comprova coloca o assunto em contexto. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já fez diversas checagens sobre as eleições. Entre elas estão a verificação de que a entrega de mídias das urnas em sala aberta segue protocolos e regras da Justiça Eleitoral e a checagem de um post que inventava um alerta de segurança sobre riscos de “acidente” e “golpe” nas eleições. O projeto também já verificou conteúdos falsos sobre a suposta promessa de salário mínimo de R$ 3 mil, envolvendo Lula e Flávio.

Comprova Explica

Investigado por: 14/10/2026

Deputada eleita nega post sobre fechar igrejas divulgado por Nikolas Ferreira

Comprova Explica
Captura de tela atribuída a Ana Elisa (PT-MG) não possui registros de autenticidade na internet; deputada disse que vai acionar Justiça Eleitoral e Ministério Público.

Conteúdo analisado: Em 8 de outubro de 2026, Nikolas Ferreira, deputado federal (PL-MG) reeleito, afirmou que já virou “voto demais”  ao utilizar um suposto post feito por Ana Elisa, também deputada federal (PT-MG) eleita. A captura de tela mostra uma publicação que a parlamentar teria feito no antigo Twitter (hoje, X) pedindo para Lula (PT) fechar as igrejas e que “crente só faz m****”. 

Onde foi publicado: X.

Comprova Explica: O perfil da deputada no X está fora do ar. Sem o acesso à fonte original do suposto post feito por Ana Elisa, não é possível verificar a veracidade ou não do conteúdo. O Comprova já desmentiu anteriormente que Lula tenha anunciado o fechamento de igrejas. Trata-se de uma desinformação recorrente sobre o presidente. 

De acordo com a equipe da parlamentar, a página no X foi desativada para proteger Ana Elisa de ataques racistas e ameaças de morte e de estupro, que se intensificaram após a publicação de Nikolas Ferreira. Apesar de aliados de Lula também terem pedido o fechamento das redes de Ana Elisa, após a repercussão do post de Nikolas e a recuperação de postagens antigas da deputada, ela afirma que suspendeu sua conta para encaminhar todas as mensagens de ataque à Polícia Federal. Em 9 de outubro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu à Polícia Federal uma investigação do caso. 

Apesar de não ser possível checar a autenticidade do post no X, outras publicações antigas da deputada com teor semelhante foram salvas no Archive Today (1, 2, 3 e 4), uma plataforma de arquivamento da web que permite aos usuários salvar cópias permanentes de URLs. O Comprova não localizou o conteúdo apresentado pelo deputado e identificou ao menos dois posts  de 2023 em que a deputada comenta sobre o fechamento das igrejas (1 e 2).

A assessoria de Ana Elisa afirmou ao Comprova que o post no X divulgado por Nikolas Ferreira é falso e que ela jamais defendeu o fechamento de igreja alguma. Além disso, a equipe também destaca que o suposto post seria de 2022, quando a deputada ainda tinha 17 anos. 

Sobre as outras publicações antigas identificadas pelo Comprova, a assessoria confirma a autenticidade, mas pontua que a maioria é de quando Ana ainda era menor de idade e que foram tiradas de contexto. “Ana assume o que escreveu, retrata-se e pede desculpas a quem se sentiu ofendido, mas é importante que se diga: aos 21, já não pensa como antes”, diz em nota. Confira aqui a nota na íntegra.

Após o ocorrido, a parlamentar declarou que acionará a Justiça Eleitoral e o Ministério Público contra o deputado do PL e contra todos que disseminaram o conteúdo. O Comprova também entrou em contato com a assessoria de Nikolas Ferreira, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta checagem.

Quem criou a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo? 

Nikolas foi o primeiro a publicar o print que atribuía a Ana Elisa uma declaração que associava ao governo Lula de apoiar o fechamento de igrejas evangélicas. No X, a postagem de Nikolas já contava com mais de 1 milhão de visualizações até o dia 9 de outubro. O deputado é evangélico e ligado à Igreja Batista da Lagoinha. 

No mesmo dia, outro deputado do PL  também postou um vídeo em seu perfil oficial no Instagram, com 1,5 milhão de seguidores, em que afirmava que Lula fecharia as igrejas. O vídeo, até o fechamento deste texto, contava com mais de 374 mil visualizações.

O Coletivo Bereia, que checa notícias de contexto religioso, mostrou que a circulação desse conteúdo falso é mobilizada por um grupo pequeno de perfis alinhados à direita. De acordo com o Bereia, 321 posts de maior engajamento, publicados por apenas 181 contas, responderam sozinhos por 6,2 milhões das 8 milhões de visualizações com a falsa narrativa.

Quem é Ana Elisa? 

Eleita como deputada federal com a idade mínima exigida pela Constituição, 21 anos, Ana Elisa é estudante de Direito e iniciou sua carreira política neste ano ao se candidatar para o cargo. Ela recebeu cerca de 524, 2 mil votos, a segunda mais votada para o cargo em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas, que acumulou mais de 3,1 milhões. 

Com 4,7 milhões de seguidores no Instagram até o dia 14 de outubro, a parlamentar eleita tem grande atuação nas redes sociais, onde aborda temas como racismo, feminismo, direitos sociais e política. Após ser eleita, ela foi convidada para ser consultora da campanha de Lula nas redes sociais, em 7 de outubro, um dia antes da publicação de Nikolas.

Quais as táticas de persuasão usadas pela publicação?

A publicação no X apresenta indícios de descontextualização, apelo emocional, polarização política e religiosa para induzir o público a conclusões enganosas sobre o posicionamento de uma deputada eleita.

Ao mostrar uma captura de tela atribuída a Ana Elisa, supostamente publicada em 2 de outubro de 2022, com uma crítica às igrejas, o texto associa o conteúdo à ideia de que Lula fecharia templos religiosos. 

Ao comentar “já virei voto demais com isso aqui” juntamente com a imagem, o autor busca mobilizar o eleitorado por meio de apelo à emoção e polarização, ao apresentar uma mensagem potencialmente ofensiva à comunidade cristã, capaz de provocar indignação e reforçar antagonismos políticos e religiosos. 

Fontes que consultamos: O Comprova buscou por posts no X de Ana Elisa salvos em bancos de arquivamento de websites, como Archive Today e WayBackMachine. Também entrou em contato com as assessorias de imprensa dos políticos Nikolas Ferreira e Ana Elisa. Além de acessar reportagens de veículos jornalísticos. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já mostrou que um vídeo de Lula foi editado para parecer que o petista defende fechamento de igrejas e que um suposto elogio de papa Leão XIV a Nikolas Ferreira se trata de história de ficção. Além disso, a recente polêmica de Nossa Senhora da Aparecida foi explicada pelo Comprova. 

Notas da comunidade: Não há notas da comunidade, mas, nos comentários da publicação de Nikolas, um usuário pergunta ao Grok, inteligência artificial da plataforma, se o print do post é verdadeiro. O Grok apresenta uma apuração semelhante a do Comprova: “Não há confirmação do post original de 2/10/2022 em arquivos públicos. Ana Elisa nega a autoria e chama o print de montagem. Posts reais dela de 2023 ironizando o tema (“cadê o kit gay e o fechamento das igrejas?”) estão arquivados. Conta desativada”.

Golpes virtuais

Investigado por: 09/10/2026

O que é o golpe do falso advogado e como evitar cair na fraude

Golpes virtuais
Com informações sobre advogados, clientes e ações judiciais, criminosos simulam contatos profissionais para cobrar taxas falsas e obter dinheiro das vítimas.

Golpe do falso advogado 

É uma fraude em que criminosos se passam por advogados ou representantes de escritórios de advocacia que representam as vítimas em processos judiciais para solicitar pagamentos indevidos. Além de causar prejuízos financeiros, o golpe pode expor dados pessoais e bancários das vítimas. A estratégia se aproxima do phishing, prática em que criminosos se passam por fontes confiáveis para obter dados sensíveis.

Neste golpe, os fraudadores consultam portais que disponibilizam dados processuais públicos para obter informações sobre advogados, clientes e processos judiciais em andamento.  

Como os golpistas abordam as pessoas: Geralmente, os criminosos entram em contato com as vítimas por aplicativos de mensagens, utilizando informações públicas de processos judiciais e dados de profissionais da advocacia para se passar por advogados ou representantes de escritórios. Em alguns casos, também se apresentam como funcionários de instituições financeiras ou de suporte técnico, segundo a cartilha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo. As abordagens podem incluir informações sobre ações judiciais em andamento e a promessa de liberação de valores a receber. Para dar credibilidade ao contato, os criminosos podem utilizar imagens de escritórios e documentos judiciais falsificados, como identificaram equipes das polícias civis do Ceará e do Paraná em uma investigação sobre o golpe do falso advogado.

Que táticas eles usam para chamar a atenção: Os criminosos exploram a expectativa de receber valores de processos judiciais para convencer as vítimas a fazer pagamentos antecipados, geralmente via Pix, sob a justificativa de quitar taxas, impostos, custas cartorárias ou outras despesas necessárias à liberação do dinheiro. Também podem enviar links para páginas falsas e solicitar dados pessoais e financeiros, como senhas bancárias e números de cartões de crédito, alegando que precisam dessas informações para realizar uma transferência ou resolver um problema. Segundo o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, após receber o dinheiro, os estelionatários encerram o contato com a vítima.

Qual é o objetivo do golpe: Obter dinheiro das vítimas por meio de transferências, geralmente via Pix, sob a falsa justificativa de que é necessário pagar taxas ou despesas para liberar valores judiciais. Além do roubo de valores, os criminosos também buscam adquirir dados pessoais e bancários sensíveis, o que pode permitir novas fraudes. 

Como se proteger: A OAB-SP recomenda que os clientes jamais acreditem em pessoas ou números desconhecidos que se dizem advogados, além de verificar os dados da conta bancária indicados para o recebimento do Pix (se é uma conta de titularidade do escritório ou do próprio advogado, por exemplo)

Assim como sugere que os clientes sempre se certifiquem da veracidade das informações recebidas, fazendo uma ligação de vídeo direta com o advogado contratado ou comparecendo pessoalmente ao escritório, por exemplo.

A OAB orienta que os escritórios alertem para a ocorrência desse tipo de golpe e que informem aos clientes sobre quais são, de fato, os números de telefone, WhatsApp, e-mail e redes sociais do advogado.

No Rio de Janeiro, a OAB já recebeu mais de 3 mil relatos sobre o golpe. Em resposta ao problema, o governador do estado em exercício, Ricardo Couto, sancionou a Lei 11.334/26, que cria a Política Estadual de Prevenção e Combate a Fraudes Processuais Eletrônicas e ao “Golpe do Falso Advogado”. Entre as ações previstas estão campanhas de alerta e medidas de incentivo à segurança digital.

Em âmbito nacional, a Câmara dos Deputados aprovou em março o Projeto de Lei nº 4709/2025, que prevê medidas para prevenir e combater o golpe do falso advogado e outras fraudes processuais eletrônicas. A proposta também estabelece medidas de proteção de dados pessoais e de segurança no acesso a processos judiciais eletrônicos, além de prever alterações na legislação penal e a criação de um cadastro nacional de condenados por estelionato eletrônico. Após a aprovação na Câmara, o texto foi encaminhado ao Senado Federal, onde segue em tramitação.

A quem denunciar: A cartilha da OAB-SP e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) recomendam:

  • Em caso de suspeita de fraude, registrar imediatamente boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pelos canais digitais da Polícia Civil;
  • Nunca realizar transferências para contas de terceiros ou chaves PIX desconhecidas;
  • Confirmar qualquer solicitação diretamente com o advogado ou escritório de advocacia, por meio de canais oficiais já conhecidos;
  • Salvar o comprovante de pagamento, preservar capturas de tela, comprovantes, mensagens e os números de telefone utilizados pelos golpistas.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já alertou para outras fraudes de phishing, como o golpe da Netflix e mostrou como se prevenir nesses casos. Também já revelamos o golpe do falso médico, com táticas e modus operandi semelhantes.

Comprova Explica

Investigado por: 09/10/2026

Entenda como funciona o split payment, mecanismo de recolhimento de tributos que entra em vigor em 2027

Comprova Explica
Modelo previsto na Reforma Tributária brasileira não cria novos impostos, mas recolhe valores automaticamente durante o processo de compra.

Conteúdo analisado: Vídeo no TikTok alega que o split payment, novo mecanismo de recolhimento de impostos previsto na regulamentação da Reforma Tributária, faz parte de um sistema que cobrará uma espécie de pedágio sempre que um pagamento via Pix ou cartão for realizado. A publicação também afirma que o custo dessa mudança poderá chegar ao consumidor, já que haverá “retenção na fonte, afetando diretamente o capital de giro das empresas. E se faltar caixa, a empresa pode precisar buscar crédito. E crédito caro costuma virar custo para o produto”.

Comprova Explica: O split payment, ou pagamento dividido, é um mecanismo previsto na regulamentação da Reforma Tributária para recolhimento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS e o ISS, e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS, a Cofins e o IPI, no momento em que uma transação de pagamento é liquidada. O modelo de recolhimento altera a forma como esses impostos são arrecadados, mas, por si só, não cria uma nova cobrança ao consumidor. Pela regra, os prestadores de serviços de pagamento eletrônico e as instituições que operam sistemas de pagamento devem separar a parcela correspondente aos tributos e repassá-la ao Comitê Gestor do IBS e à Receita Federal do Brasil (RFB). 

Na prática, o sistema relaciona a operação de compra ou venda ao respectivo pagamento para identificar o valor de IBS e CBS a ser recolhido. A lei prevê que o split payment seja aplicado às transações relacionadas à compra de bens ou à prestação de serviços.

A lei também estabelece um procedimento simplificado, no qual a parcela a ser separada é calculada com base em um percentual preestabelecido do valor da operação. Esse percentual é definido pelo Comitê Gestor do IBS e pela Receita Federal para os respectivos tributos.

Na primeira fase de funcionamento, o sistema vale apenas para negócios entre empresas, ou seja, entre pessoas jurídicas. Seu uso não é obrigatório, de modo que as empresas podem optar por utilizá-lo ou não. O split payment será liberado aos poucos e de forma opcional ao longo de 2027, e só deve se tornar obrigatório nas operações entre empresas em 2028.

Custo operacional

O grupo de trabalho interministerial criado pelo Ministério da Fazenda e pela Controladoria-Geral da União (CGU) estuda uma remuneração para as instituições financeiras que farão a separação dos valores do split payment. A proposta considera que os bancos precisarão adaptar suas infraestruturas para realizar o procedimento. 

Um valor de R$ 0,39 por operação a ser pago pelo governo às instituições chegou a ser discutido, mas a remuneração ainda não foi definitivamente estabelecida. O relatório do grupo de trabalho aponta que a implementação da medida depende de avaliação jurídica, orçamentária e de conveniência e oportunidade. A análise também deverá definir o instrumento necessário para formalizar a remuneração e estabelecer o escopo do pagamento.

A Controladoria-Geral da União (CGU) teria se manifestado contra o valor de R$ 0,39, ainda de acordo com a reportagem. Já a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), que participa das discussões sobre a remuneração, afirmou que o setor negocia a questão com o governo.

O consumidor vai pagar mais caro?

Ao Comprova, Leandro dos Santos Maciel, professor de finanças na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), explicou que esse tipo de interpretação tem fundamentação econômica, mas não é possível generalizá-la.

Sem o split payment, a empresa recebe o valor integral e, por um momento, tem os recursos disponíveis em seu caixa durante um período. Com o mecanismo, os valores deixam de transitar pelo caixa da empresa, o que pode reduzir a disponibilidade de capital de giro em determinados momentos, disse o professor. “Nesse cenário, a empresa poderá enfrentar maiores necessidades de financiamento e, caso considere economicamente viável, repassar parte desses custos aos preços dos produtos”. 

Mas a decisão depende de outros fatores, como as condições de acesso ao crédito, o custo de financiamento, a capacidade de repasse de custos aos consumidores e a estrutura competitiva do mercado em que a empresa atua. 

“Embora exista um risco de pressão sobre os preços, a implementação do split payment, isoladamente, não implica necessariamente um aumento generalizado dos preços ao consumidor, uma vez que inúmeros outros fatores influenciam as decisões de precificação das empresas”, pontuou  Maciel.

Ele também disse que a analogia ao “pedágio” não é precisa, pois pode transmitir a ideia de que haverá uma cobrança direta das instituições financeiras sobre empresas ou consumidores. 

“A proposta prevê um custo de operacionalização do sistema de arrecadação, financiado com recursos públicos e destinado às instituições financeiras”, disse o professor.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O titular do perfil no TikTok se apresenta como advogado tributarista e empresarial e diz ter excelência na redução de dívidas tributárias federais. Os outros conteúdos publicados por ele na plataforma também abordam temas como finanças e economia. Até 9 de outubro o criador do perfil já acumulava 45,7 mil seguidores no TikTok e 251 no Instagram. O Comprova entrou em contato com ele mas não obteve resposta.

Fontes que consultamos: O Comprova entrou em contato com o criador dos vídeos, leu outros textos sobre o “split payment” e conversou com Leandro dos Santos Maciel, professor de finanças na FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo).

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já investigou um vídeo enganoso que sugere a cobrança de imposto de 26,5% sobre todo autônomo, também explicou o que proprietário e locatários precisam saber sobre mudanças de aluguel com a Reforma Tributária e como a modernização de cadastros da Reforma Tributária pode reajustar seu IPTU.

Eleições

Investigado por: 09/10/2026

Entrega de mídias de urnas em sala aberta segue protocolo e regras da Justiça Eleitoral

Eleições
Procedimento testemunhado por diversas pessoas em Maringá obedece às normas do TSE e garante a transparência do processo de apuração dos votos.

Não é crime o fato de a entrega das mídias com os resultados das urnas usadas nas eleições ser feita em uma sala aberta e com várias pessoas trabalhando, ao contrário do que afirma uma publicação no X. O post questiona a maneira como as informações com votos das urnas eletrônicas chegam a uma sala de contabilização para serem direcionadas para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Repostando um vídeo que mostra o procedimento em Maringá (PR), um usuário do X questiona o fato de o recebimento das bolsas com as mídias que serão levadas aos computadores ocorrer em uma sala aberta e “cheia de gente”. “Achei que (…) entrava em uma sala lacrada e lá subiam os votos”, aponta, afirmando ainda ser crime. O vídeo publicado no X teve mais de 367 mil visualizações no X até esta quinta-feira (8).  

O TSE nega que a transmissão dos votos das urnas eletrônicas seja vulnerável ou irregular por ocorrer em salas abertas e com a presença de pessoas ou por utilizar “pen drives” e computadores. 

De acordo com o TSE, a transmissão dos resultados das urnas eletrônicas é um processo transparente, auditável e altamente seguro. A presença de pessoas e fiscais no local de transmissão reforça a publicidade e a transparência do ato democrático. 

O vídeo do post é real? Mostra o momento da apuração dos votos? 

O vídeo da postagem que viralizou foi repostado de um perfil de Instagram de um jornal de Santa Catarina, mas originalmente foi gravado por uma repórter de uma rede de TV do Paraná na noite da apuração em Maringá (PR). As imagens mostram o que acontece com as Mídias de Resultado das urnas, que têm formato parecido com um pen drive, depois que a votação termina. 

As imagens acompanham a chegada das bolsas a um cartório eleitoral de Maringá, a entrega das mídias e o momento em que elas são colocadas nos computadores do ponto de transmissão. Nesse local, segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), os arquivos são enviados ao TSE por uma rede de comunicação privada e criptografada. Antes de incorporar os resultados à totalização, o sistema verifica a autenticidade, a integridade e a identificação dos arquivos.

Submetido à análise do SynthID, o vídeo é real e apresenta baixa probabilidade de alteração fraudulenta, de uso de IA ou de manipulação de conteúdo. 

“A única alteração identificável é a inclusão convencional de legenda e vinheta informativa de mídia jornalística (pós-produção editorial), sem evidências de adulteração do conteúdo dos quadros ou de geração por inteligência artificial”, aponta a ferramenta.

Como é feita a contagem? Onde? Por quem? É usado pen drive?

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral,  a apuração dos votos começa imediatamente após o encerramento da votação, às 17h. Nesse momento, o presidente da seção eleitoral seleciona a opção “Encerrar votação” no terminal do mesário e confirma o procedimento seguindo as orientações do sistema. A partir desse momento, a urna é bloqueada para novos votos.

A própria urna realiza a soma de todos os votos registrados naquela seção eleitoral. Como a urna eletrônica não fica conectada à internet nem utiliza tecnologias como Wi-Fi ou Bluetooth durante a votação, os votos permanecem armazenados no equipamento até o fechamento oficial da seção.

Após o encerramento da votação, a urna imprime ao menos cinco vias do chamado Boletim de Urna (BU), documento que apresenta o resultado daquela seção específica. O boletim mostra quantos votos cada candidato recebeu, além dos votos em branco, dos nulos e do total de eleitores que compareceram para votar. Isso permite que partidos, candidatos ou qualquer cidadão possa conferir se os resultados são iguais aos contabilizados pelo TSE.

Além da versão impressa, a urna também grava eletronicamente os dados do resultado em uma mídia de armazenamento chamada Mídia de Resultado. Nessa mídia ficam registrados os dados da votação daquela seção,  protegidos por mecanismos de criptografia que permitem verificar se o conteúdo permaneceu íntegro e não sofreu alterações.

Depois da impressão dos boletins, o presidente da seção retira essa Mídia de Resultado da urna. O dispositivo é então encaminhado ao cartório eleitoral juntamente com uma das vias impressas do Boletim de Urna. No cartório, os dados são lidos por computadores preparados especificamente para o processo eleitoral e passam por novas verificações de autenticidade e integridade.

Somente após essas conferências, as Mídias de Resultado são transmitidas para os centros de recebimento da Justiça Eleitoral, onde são processadas e incorporadas aos sistemas de totalização. A transmissão ocorre por uma rede exclusiva utilizada pelos tribunais eleitorais, separada do sistema de votação. 

A contagem dos votos não é realizada manualmente por servidores públicos nem por mesários. Atualmente, a soma nacional dos votos é processada em uma infraestrutura de alta segurança mantida pelo TSE em Brasília, incluindo ambientes conhecidos como sala-cofre, projetados para proteger os equipamentos e os dados eleitorais. 

Quem criou a postagem e qual é seu interesse na disseminação do conteúdo?

A postagem original foi feita por uma repórter de uma emissora de TV do Paraná e mostra os bastidores da apuração em Maringá. Ao Comprova, ela afirmou que não teve intenção de causar desinformação com a postagem. “Na verdade, estava tudo super organizado e eu estava sob a supervisão da juíza eleitoral”, disse.

O vídeo foi republicado por um portal de Santa Catarina que, na legenda, explica como funciona o processo de apuração eleitoral. No entanto, apesar de inicialmente não aparentar ser desinformação, o conteúdo está inserido em um contexto de outras postagens, do mesmo portal, que misturam informações descontextualizadas, notícias em tom sensacionalista e publicações que favorecem a extrema direita. Há também uma postagem que questiona: “Você ainda acredita em pesquisa?”. A postagem, portanto, é voltada a gerar engajamento com dúvidas sobre a segurança da urna.

Procurado pelo Comprova, o portal de Santa Catarina disse: “Não temos que nos pronunciar sobre o que as pessoas compreendem de um conteúdo”.

Quais táticas de persuasão foram utilizadas pela publicação?

O vídeo registra um procedimento operacional padrão e legítimo do processo eleitoral brasileiro, mas ao afirmar que o trabalho da recepção das mídias com os votos das eleições em sala aberta e com muitos trabalhadores é crime, o usuário recorre a táticas de descontextualização e falsas conexões para insinuar uma fragilidade ou manipulação no sistema do TSE.

Dessa forma, o conteúdo explora, por exemplo, o aproveitamento do viés de confirmação em um ambiente já polarizado, levando o leitor a tirar conclusões precipitadas sobre o processo de contabilização dos votos nos cartórios eleitorais. 

Fontes que consultamos: O Comprova consultou a Justiça Eleitoral sobre as etapas do processo de apuração eleitoral. Também consultou a ferramenta SynthID para verificar se o conteúdo foi manipulado por IA e entrou em contato com os autores das postagens originais.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: A AFP fez uma checagem do mesmo vídeo, assim como oTribunal Superior Eleitoral. O Comprova já checou outros conteúdos desinformativos relacionados às eleições de 2026 sobre pesquisas eleitorais, alertas de segurança e um avião enviado pelos EUA para capturar Lula.

Notas da comunidade: Nenhum dos posts analisados sobre esse tema pelo Comprova tinha notas da comunidade. 

Eleições

Investigado por: 08/10/2026

Interrupção na divulgação dos resultados não afetou a totalização dos votos no primeiro turno

Eleições
O problema ocorreu na apresentação dos dados ao público, enquanto a Justiça Eleitoral continuou processando os resultados registrados nos Boletins de Urna.

Ao contrário do que sugerem publicações nas redes sociais, a interrupção de cerca de 50 minutos na atualização dos resultados para presidente não afetou a apuração nem a totalização dos votos do primeiro turno das eleições gerais de 2026. Diante de vídeos que repercutiram, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou uma nota na terça-feira (6) para esclarecer o ocorrido. 

Segundo o TSE, os Boletins de Urna (BUs) continuaram a ser transmitidos, recebidos e processados durante o período. Não há evidências de que a interrupção tenha permitido alterar os votos registrados nas urnas.

Em nota, o TSE explicou que a interrupção começou por volta das 19h14, quando 64,81% dos dados já haviam sido divulgados. Segundo o TSE, um aumento no volume de dados provocou uma “contenção no processamento”,  que resultou apenas na paralisação da aba  “Brasil” — responsável por apresentar os resultados nacionais para presidente e vice-presidente. Os resultados por estados continuaram a ser divulgados normalmente durante a interrupção. A exibição dos candidatos à presidência voltou a funcionar às 20h04, cerca de 50 minutos depois.

Com a retomada, os dados dos BUs que continuaram sendo processados durante o período passaram a aparecer na visualização nacional. Por isso, os percentuais dos candidatos mudaram em relação aos números exibidos antes da interrupção. Essa variação, por si só, não indica alteração dos votos ou manipulação do resultado.

A interrupção permitiu alterar os votos?

Não há qualquer evidência de que a interrupção de 50 minutos na exibição dos dados tenha alterado os votos registrados nas urnas. Os BUs continuaram sendo transmitidos e processados, e a totalização utiliza os resultados registrados nesses documentos. Dessa forma, a interrupção ocorreu na divulgação dos resultados pela internet, e não na apuração realizada pelas urnas eletrônicas. 

A diferença entre os percentuais apresentados antes e depois da interrupção também não indica, por si só, uma alteração nos votos. À medida que novos BUs são recebidos e incorporados à totalização, os percentuais dos candidatos podem mudar.

Como funcionam a apuração, a totalização e a divulgação?

O tribunal também explicou como funciona a contabilização e a apresentação dos resultados das eleições, que são divididos em três etapas até a divulgação do resultado: apuração, totalização e divulgação. Embora cada uma esteja relacionada, elas desempenham funções diferentes, e entender essa divisão é importante para compreender que a interrupção da atualização da página não afetou o resultado. 

  • Apuração:a urna eletrônica registra e contabiliza os votos de cada seção eleitoral ao fim da votação e emite o Boletim de Urna.
  • Totalização: a Justiça Eleitoral recebe os resultados registrados nos BUs e soma os votos de todas as seções para formar os resultados estaduais e, no caso da eleição presidencial, o resultado nacional.
  • Divulgação: os resultados apurados e totalizados são divulgados ao público pelos sistemas da Justiça Eleitoral. Foi nessa etapa que ocorreu a interrupção da atualização do resultado nacional para presidente.

Como o eleitor pode conferir os resultados de uma seção?

Embora o TSE assegure a confiabilidade do sistema eletrônico de votação, os resultados registrados em cada seção podem ser conferidos por meio do Boletim de Urna (BU), emitido pela própria urna ao término da votação. Uma via é afixada na seção eleitoral, permitindo a consulta pública, e os dados também podem ser acessados por ferramentas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral.

Dessa forma, é possível conferir os votos registrados naquela seção e comparar os dados do BU com os resultados posteriormente divulgados pela Justiça Eleitoral.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O vídeo verificado surgiu originalmente no Instagram, publicado por um perfil pessoal não verificado, dedicado à postagem recorrente de cortes e comentários políticos. A publicação alcançou seis milhões de visualizações até o dia 6 de outubro e acabou sendo replicada por outros usuários e páginas nas redes sociais. 

Na legenda, a criadora do conteúdo chama a urna de “caixinha mágica”, em tom de ironia,  sugerindo que o equipamento teria sido fraudado. A expressão também remete a uma discussão histórica sobre as formas de votação anteriores à urna eletrônica, —  no voto em papel as fraudes eram apelidadas como “mão mágica”.  

O Comprova procurou os responsáveis pelos perfis que compartilharam o conteúdo, mas não obteve retorno até a publicação desta checagem. Conforme a política editorial do projeto, que evita expor pessoas que não sejam figuras públicas quando não há retorno ao contato, os nomes dos perfis não serão divulgados.

Buscas em outras plataformas indicam que o mesmo trecho da tela estática do TSE circulou em outras redes sociais, sendo compartilhado por perfis com os mesmos interesses de questionar a integridade do processo eleitoral.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação parte de um acontecimento real e público, a indisponibilidade momentânea do painel de acompanhamento online do TSE, para alimentar suspeitas infundadas sobre a integridade do pleito. Para o eleitor comum que acompanha os números minuto a minuto, manter a mesma tela por quase uma hora transmite a impressão de interrupção da própria apuração. 

O conteúdo ganha força ao explorar o desconhecimento sobre as diferenças técnicas entre apuração, realizada na própria urna, totalização, que consiste na soma dos votos no sistema do tribunal, e divulgação, representada pela interface visual disponível no site e no aplicativo. Além disso, quando o painel voltou ao ar, a incorporação em bloco dos boletins de urna processados durante o intervalo alterou as porcentagens dos candidatos. Essa variação matemática, comum ao longo da contagem, aparece no vídeo como suposta “prova” de manipulação, em um apelo ao viés de confirmação e à desconfiança prévia em relação ao processo eleitoral.

Fontes que consultamos: Consultamos informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a interrupção, o funcionamento da apuração e da totalização e os mecanismos de conferência dos Boletins de Urna (BUs). Também analisamos as publicações que deram origem à alegação, no Instagram e no X.  

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema:  O Comprova já verificou outros conteúdos relacionados às eleições, como um gráfico que atribuía a um instituto de pesquisa uma previsão que, na verdade, era de um site de apostas; as regras para participação de candidatos em debates na TV; e publicações que ensinavam supostos “macetes” para votar em candidatos para induzir o eleitor a errar o número na urna. 

Golpes virtuais

Investigado por: 05/10/2026

Golpistas usam nome da WePink para simular pesquisa e extorquir clientes

Golpes virtuais
Suposta pesquisa da marca promete valores em dinheiro para quem responder formulário nas redes sociais; golpistas lucram com “taxa antifraude”.

Golpistas usam o Threads, rede social associada ao Instagram, para divulgar uma falsa campanha da WePink que promete pagamentos de mais de R$ 800 a quem responder uma pesquisa sobre a marca. Os usuários são direcionados a um site que simula a identidade visual da empresa e faz uma série de perguntas que libera um falso crédito em dinheiro. Ao final, os golpistas pedem o pagamento de R$ 19,95 sob a justificativa de uma “taxa antifraude”. Nas redes sociais, usuários relatam nunca terem recebido o valor prometido.

Apesar das queixas dos usuários, a empresa dona do Threads, a Meta — que também é dona do Facebook e WhatsApp —, afirmou ao Comprova que não permite “atividades que visam enganar, fraudar ou explorar terceiros” em suas plataformas. A Meta recomenda que os usuários “relatem qualquer conteúdo que considerem violar os padrões da comunidade do Facebook, as diretrizes do Instagram e os padrões de publicidade da Meta diretamente pelos próprios aplicativos.”

O Comprova também entrou em contato com a WePink e solicitou um posicionamento da empresa em relação ao golpe. Em resposta, a empresa informou que “o caso já foi encaminhado à equipe especializada, e que está realizando as devidas apurações e adotando as medidas cabíveis para tratar a situação.”

A WePink é uma empresa brasileira de cosméticos e cuidados pessoais fundada em 2021 por Virgínia Fonseca, Samara Pink, Thiago Stabile e Lucas Chaopeng. 

Como os golpistas abordam as pessoas: Perfis no Threads de pessoas aparentemente comuns divulgam a suposta campanha da WePink relatando ganhos de  mais de R$ 800 após responderem uma pesquisa sobre a marca. As publicações direcionam os usuários para um site que simula ser uma página oficial da empresa.

Na página, o usuário primeiro informa seu perfil no Threads e, em seguida, responde a oito perguntas sobre a WePink. A cada resposta, um saldo, inicialmente de R$ 0, vai aumentando até chegar a R$ 830.

Ao final do questionário, uma mensagem de “parabéns” informa que o usuário acumulou R$ 830. A página também exibe um cronômetro de menos de 24 horas para o suposto benefício expirar.

Depois que o usuário clica para resgatar o valor e informa uma chave Pix, é direcionado para uma página intitulada “desbloqueio de saldo”. Nela, um vídeo mostra uma mulher afirmando que “poucas pessoas” conseguem atingir aquele valor e que o dinheiro “já é seu”. 

Para receber a quantia, porém, seria necessário pagar uma suposta “taxa antifraude”, apresentada como uma forma de comprovar que o usuário é uma pessoa e não um robô tentando invadir o site.

“Fique tranquilo, o valor será totalmente reembolsado na sua conta junto com o seu saldo total”, afirma a mulher no vídeo.

A página apresenta um botão para “pagar taxa e desbloquear saldo” e gera um QR Code para o pagamento de R$ 19,95 via Pix. O site ainda alega ao usuário que eventuais alertas de segurança recebidos durante a transação se devem à grande quantidade de pagamentos que estariam sendo realizados pela suposta campanha.

“ATENÇÃO! A nova campanha WePink vem distribuindo muitos PIX diariamente, isso faz com que a transação em alguns casos ative o mecanismo de segurança, em caso de alerta fique totalmente tranquilo (a) e efetue a taxa para o recebimento ágil”.

O QR Code apresentado para a transferência da suposta “taxa antifraude” está registrado em nome da Soluções RA LTDA, CNPJ 69.156.627/0001-32.

 

 

Há relatos publicados nas redes sociais de usuários que afirmam que, depois do pagamento de uma primeira taxa, novas cobranças são apresentadas. Esses relatos, porém, não permitem afirmar por si só que essa sequência ocorre em todos os acessos ao site analisado.

A Soluções RA LTDA foi aberta no dia 16 de setembro de 2026 e tem como sócio-administrador Richard da Paz Ferreira. A empresa está localizada em uma área residencial de Taguatinga, cidade-satélite de Brasília (DF).

O Comprova tentou localizar o endereço da Soluções RA LTDA no Google Maps, mas não teve sucesso. Também não conseguimos contato por telefone.

O nome de Richard da Paz Ferreira e da Soluções RA LTDA é citado em outras publicações nas redes sociais que denunciam outros golpes, como o Golpe do Consignado, em que os golpistas se apresentam como funcionários de instituições financeiras legítimas e entram em contato com as vítimas oferecendo taxas de juros baixas e condições de pagamento favoráveis demais. Depois, os criminosos pedem que a vítima pague supostas taxas administrativas para que contratem o suposto empréstimo vantajoso, e então desaparecem com o dinheiro. 

Que táticas eles usam para chamar a atenção: Os golpistas se passam por perfis de usuários comuns do Threads para divulgar a falsa campanha. Algumas dessas publicações afirmam que os próprios usuários inicialmente desconfiaram da promoção, mas decidiram participar e receberam o valor. Também são incluídas capturas de telas com depósitos de quantias altas de dinheiro, para dar aparência de legitimidade.

Nos comentários, outros perfis são usados para induzir a vítima a acreditar no golpe, com postagens que reforçam pontos do golpe (como onde localizar o link da falsa pesquisa), mensagens de gratidão e capturas de tela dos falsos depósitos.

O Comprova identificou que esses perfis são parecidos uns com os outros: foram criados há poucos meses, se identificam como mulheres e têm histórico de respostas em outros possíveis golpes do tipo.

O site também usa outros mecanismos para chamar a atenção das vítimas e estimular o pagamento. O saldo aumenta a cada pergunta respondida, criando a expectativa de que o usuário está acumulando dinheiro. Ao final, um cronômetro estabelece um prazo para o resgate, enquanto mensagens afirmam que o valor já pertence ao participante e que a taxa de R$ 19,95 será devolvida junto com os R$ 830 prometidos.

Como se proteger: Um dos principais sinais de que a abordagem é um golpe é a promessa de dinheiro fácil ou de produtos gratuitos. É importante desconfiar sempre que houver cobrança para receber um prêmio, benefício ou valor prometido, pois empresas legítimas costumam informar promoções e campanhas em seus canais oficiais e não exigem depósitos antecipados para liberar pagamentos ou produtos aos clientes. 

Outros indícios de golpe incluem mensagens com erros de digitação, pressão para agir rapidamente e promessas muito vantajosas — como descontos exagerados. Antes de fornecer dados pessoais ou realizar qualquer pagamento, vale verificar se a ação realmente existe nos perfis oficiais da marca que estaria promovendo o prêmio, como o site, aplicativo ou redes sociais.

A quem denunciar: O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta que, se a vítima recebeu uma oferta falsa, clicou em um link suspeito e teve perdas financeiras, deve contatar os seus bancos imediatamente, através dos canais oficiais, e informar a suspeita de fraude. O Banco Central orienta que vítimas de golpes também registrem um Boletim de Ocorrência e guardem documentos e comprovantes relacionados ao caso. 

Deve-se registrar e preservar as provas do golpe. As provas incluem o “número utilizado, data, horário da ligação/mensagem, e o que foi dito, prints de mensagens, registros de chamadas, fotos do número utilizado, valor do prejuízo sofrido (se houver), informações referentes a transferência (para quem foi destinado os valores)”, também conforme o Ministério da Justiça. 

Se o golpe envolveu pagamento em cartão de crédito, a vítima deve contestar a transação junto à instituição financeira. Quando houver uma relação de consumo com uma empresa que possua CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) ativo na Receita Federal, também é possível recorrer ao Consumidor.gov.br e ao Procon. 

No caso de Pix, a recomendação é comunicar o banco imediatamente e solicitar a devolução pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). O pedido não garante que o dinheiro será recuperado, mas quanto mais rápida for a comunicação, maiores são as possibilidades de bloqueio dos recursos.

A Meta orienta os usuários a relatarem diretamente no aplicativo qualquer conteúdo que considerem violar os padrões da comunidade do Facebook, as diretrizes do Instagram e os padrões de publicidade da Meta.

Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Para se aprofundar mais: O Comprova já identificou um golpe que usa a imagem de Luciano Hang, dono da Havan, para divulgar uma falsa plataforma de investimentos. Também chegou outra fraude que usa a imagem do presidente Lula hospitalizado para gerar cliques na plataforma de vendas Shopee.

Este texto foi produzido por jornalistas que participam do programa de Residência no Comprova e conta com o apoio do TikTok.

Eleições

Investigado por: 04/10/2026

Post inventa alerta de segurança devido a riscos de ‘acidente’ e ‘golpe’ nas eleições

Eleições
Polícia Federal nega ter emitido aviso sobre ameaça de ‘acidente e golpe’ no pleito; TSE afirma que votação transcorre com ‘normalidade’.

Não é verdade que autoridades tenham emitido um alerta aos eleitores devido a ameaças de segurança e golpe de Estado neste domingo (4), diferentemente do que alegou um post no TikTok. Ao Comprova, a Polícia Federal (PF) informou que não fez o aviso.

Sem apresentar fontes, o conteúdo viral – checado por sugestão de um leitor, que o enviou para o WhatsApp do Comprova – compartilha a orientação de que pessoas retornem a suas casas após o voto, devido ao “risco de acidentes, brigas ou golpe de Estado”. Contudo, até o momento, não foi identificado registro de problemas de segurança no pleito eleitoral.

Em coletiva de imprensa nesta tarde, ainda durante a votação, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, afirmou que as eleições acontecem com “normalidade”, sem o registro de ocorrência grave. Segundo o ministro, em todo o Brasil, 59 pessoas foram conduzidas pelas forças policiais por suspeita de ilícitos eleitorais.

Na entrevista, Nunes Marques descartou interferência estrangeira nas eleições. “Os nossos relatórios não apontam nenhum tipo de risco, seja ele internacional ou do crime organizado”, disse. As suspeitas sobre as ameaças cresceram após o anúncio de que as embaixadas dos Estados Unidos e da Austrália permaneceriam fechadas.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

O vídeo desinformativo foi publicado por um perfil no TikTok que acumula mais de 95 mil curtidas e 1.043 seguidores até 4 de outubro. O Comprova entrou em contato com o perfil, mas não obteve resposta até o momento da publicação. 

Com as publicações mais antigas datando de setembro deste ano, o perfil se descreve como uma página de notícias rápida, direta e confiável. Todos os conteúdos publicados seguem o mesmo padrão e tratam das eleições presidenciais com apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). 

Por que as pessoas podem ter acreditado

O conteúdo usa táticas de persuasão para desinformar. O Comprova identificou, entre elas, a estratégia de imitação de fontes confiáveis ao simular uma página de notícias, apesar de não ser um veículo de comunicação verdadeiro. Além disso, usa o apelo à emoção ao empregar a palavra “urgente” para dar gravidade à informação falsa e ao alegar risco à “segurança” de pessoas para causar alarde aos usuários.

Fontes que consultamos: O Comprova consultou a Polícia Federal e buscou por declarações do presidente do TSE publicadas pela imprensa.

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: O Comprova já investigou outra alegação falsa de que a PF teria emitido alerta para golpe de Estado após os Estados Unidos terem fechado a sua embaixada no Brasil. 

Eleições

Investigado por: 04/10/2026

Avião que capturou Maduro esteve no Brasil para exercício militar e já deixou o país

Eleições
Publicação de Pablo Marçal descontextualiza presença de avião dos EUA em treinamento da FAB para sugerir intervenção eleitoral.

É falso que o avião usado pelo governo dos Estados Unidos na captura de Nicolás Maduro esteja no Brasil para levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A alegação circula em um post publicado neste sábado (3). A publicação dá a entender que a aeronave seria usada para levar Lula aos Estados Unidos caso ele perca a eleição no primeiro turno e haja uma tentativa de golpe.

O empresário e influenciador Pablo Marçal publicou o conteúdo no Instagram com a legenda “Se tiver golpe, já sabe”. Mas as imagens do avião dos Estados Unidos foram tiradas de contexto. Contatada pelo Comprova por telefone, a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que o avião esteve no Brasil para um exercício militar e retornou aos Estados Unidos em 24 de setembro.

Segundo o G1, o avião Lockheed Martin HC-130J Combat King II esteve na Base Aérea de Campo Grande (MS) para “simular operações de resgate e apoio em áreas de difícil acesso, em um cenário de guerra não convencional”. Ou seja, diferentemente do que o post viral – que teve mais de 12 milhões de visualizações até a publicação deste texto –, o avião não está no Brasil neste domingo (4).

O post mescla imagens da base aérea com um trecho que mostra a jornalista Clarissa Oliveira, da CNN Brasil, dando a notícia sobre a vinda da aeronave. A reportagem foi exibida em 25 de setembro.

Quem criou a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

Marçal tem mais de 13,9 milhões de seguidores no Instagram. Nestas eleições, ele está apoiando o opositor de Lula, Flávio Bolsonaro (PL). Entre os posts recentes dele há, por exemplo, uma imagem do presidente norte-americano Donald Trump com a legenda, em inglês “Trump, salve o Brasil”, e outros conteúdos ligados à direita. 

O empresário foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024 e tentou buscar a Presidência agora em 2026, mas foi impedido pela Justiça Eleitoral. Ele está inelegível até 2032 por decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo ligada a irregularidades em sua campanha à Prefeitura.

Quais táticas de persuasão foram utilizadas pela publicação?

Além da descontextualização – imagens de fim de setembro são usadas como se fossem atuais –, o post se vale da falsa validação de jornalistas ao publicar um trecho da apresentação de uma reportagem da CNN Brasil. Ao fazer isso, a publicação ganha uma aparência de “notícia”, omitindo assim a teoria conspiratória inventada no conteúdo (de que o avião que levou Maduro capturaria Lula). 

O post também faz uso de ironia, sarcasmo e ameaça, com a legenda “Se tiver golpe, já sabe”, incitando o medo e transmitindo uma falsa sensação de poder ou de proteção militar externa.

Fontes que consultamos: O Comprova fez uma busca reversa das imagens exibidas no vídeo, além de elencar notícias sobre o episódio envolvendo uma das aeronaves utilizada na captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, que esteve na Base Aérea de Campo Grande (BACG), no Mato Grosso do Sul, para participar de um exercício operacional. Além disso, o Comprova analisou a reportagem que exibe imagens da jornalista Clarissa Oliveira da CNN Brasil, citada no vídeo. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre as publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Pablo Marçal teve outro post verificado pelo Comprova sobre as eleições publicado neste domingo. O conteúdo é sobre postagem que gera confusão sobre gráfico do mercado de apostas e pesquisa eleitoral. E o Aos Fatos verificou que vídeos não mostram movimentação militar americana em solo brasileiro para eleições.

Contextualizando

Investigado por: 04/10/2026

Gráfico que mostra 60% de chance de vitória para Flávio é de um site de apostas, não de instituto de pesquisas

Contextualizando
Plataforma de previsões não segue metodologia exigida pelo Tribunal Superior Eleitoral para medir preferência do eleitorado.

Conteúdo analisado: Post afirmando que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estaria com mais de 60% das intenções de voto e, Lula (PT), cerca de 30%. 

Onde foi publicado: Instagram.

Contextualizando: Flávio Bolsonaro (PL) não aparece com mais de 60% das intenções de voto em pesquisas eleitorais, ao contrário do que pode dar a entender publicação em canal oficial de Pablo Marçal. Os dados apresentados na postagem, feita neste sábado (3) no Instagram, referem-se a indicadores da plataforma de apostas Polymarket, que não utilizam a mesma metodologia ou critérios exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em pesquisas eleitorais.

A Polymarket é uma plataforma de mercado de previsões baseada em criptomoedas, em que usuários podem apostar em eventos futuros, como resultado de eleições, partidas esportivas e até cenários de guerras. Uma investigação do Aos Fatos também mostrou que a própria campanha do Flávio e outros candidatos tem compartilhado as apostas da Polymarket como pesquisas oficiais. A legislação eleitoral proíbe a divulgação de dados que não sejam das pesquisas registradas.

A postagem mostra um gráfico com o título “Eleição Presidencial do Brasil” e o logo da Polymarket, em que Flávio aparece com 60% e Lula com cerca de 30%, sem indicar o que as porcentagens representam. O post ainda afirma: “Deu ruim para o PT. O STF proibiu esse site e ele nunca errou uma eleição”. Desde abril deste ano, a plataforma está proibida de ofertar e divulgar serviços no Brasil após proibição do governo federal.

Diferentemente do que aponta a plataforma de mercado de previsões, as pesquisas eleitorais mais recentes mostram os candidatos do PL e do PT empatados no primeiro turno dentro da margem de erro. O Datafolha, divulgado neste sábado (3), por exemplo, aponta Lula com 45% das intenções de voto e Flávio com 42%. Já a Quaest indica 46% para o petista e 45% para o candidato do PL. 

Para a realização de pesquisas eleitorais, o TSE estabelece uma série de informações que devem ser entregues ao órgão para a avaliação. Entre elas, estão o contratante, a metodologia, o plano amostral dos entrevistados, a margem de erro, o nível de confiança e o questionário. As probabilidades calculadas pela Polymarket não atendem nem se incluem nesse cenário. 

O Comprova já explicou como são as metodologias e processos envolvidos nas pesquisas. 

Quem fez a postagem e qual é o seu interesse na disseminação do conteúdo?

A publicação foi feita pelo perfil oficial de Pablo Marçal no Instagram. Com 13,9 milhões de seguidores, Marçal é empresário e já se candidatou à Prefeitura de São Paulo em 2024. Nas eleições deste ano, ele chegou a tentar registrar sua candidatura para a Presidência, mas ela foi rejeitada pelo TSE. 

Até 2032, Marçal está inelegível por ter sido condenado pela Justiça Eleitoral de São Paulo por ofertar gravações de vídeos para vereadores e prefeitos em troca de doações em dinheiro. Sem poder concorrer nas eleições de 2026, Marçal faz parte da equipe de campanha de Flávio Bolsonaro e tem publicado conteúdos de apoio à candidatura do PL para a Presidência. 

O Comprova entrou em contato com o Pablo Marçal pela DM do Instagram, mas não obteve retorno até o momento da publicação. 

Por que as pessoas podem ter acreditado? 

Ao não oferecer o contexto completo dos números apresentados no gráfico que trata das eleições presidenciais, a postagem induz o usuário a relacionar as porcentagens às pesquisas eleitorais. Além da descontextualização sobre a natureza dos dados, o post ainda não esclarece que a Polymarket, indicada como fonte do gráfico, é uma plataforma de apostas, e não um instituto de pesquisa. 

Outra tática de convencimento presente no material é o apelo emocional atrelado à polarização, uma vez que se utiliza de termos como “comunista” para se referir ao candidato do PT e aciona um senso de urgência com as frases “Vai ser loucura amanhã. Compartilhe, pq o povo acordou”. O viés de confirmação, tendência a aceitar melhor informações que confirmem crenças próprias, também pode ter levado apoiadores de Flávio a acreditar na postagem. 

Fontes que consultamos: O Comprova buscou informações em sites jornalísticos e os resultados das pesquisas eleitorais mais recentes. 

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: Nestas eleições, o Comprova verificou que a rejeição de 68% a Lula no Paraná é real, mas não indica “derrota iminente”, diferentemente do que afirma o post. Na seção Comprova Explica, você lê detalhes sobre métodos usados em pesquisas eleitorais.